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São Paulo,

ANÁLISE HISTOPATOLÓGICA DO ESTÔMAGO, FÍGADO E RIM DE RATOS SUBMETIDOS À TERAPIA ANTIINFLAMATÓRIA NÃO ESTERÓIDE

Palavras-chave : Anti-inflamatórios; microscopia hepato- renal e gástrica

Aron Ferreida da SILVEIRA 1 ; Lenise Nascimento FLÔRES 2 , Joseane ROSSATO 3 , Rafaela CHARÃO 4 , Rosélia SPANEVELLO 5 ; Sérgio oliveira da SILVEIRA 6

1 Médico Veterinário, Prof. Tit. Dr do departamento de Morfologia-silveira@ccs.ufsm.br
2 Graduanda do curso de Medicina Veterinária – lnflores@uol.com.br
3 Graduanda do curso de Ciências Biológicas
4 Graduanda do curso de Enfermagem
5 Graduanda do curso de Ci6encias Biológicas
6Histotécnico do Departamento de morfologia da UFSM

  RESUMO:

A pesquisa sobre os fármacos anti-inflamatórios (AINEs) têm merecido atenção especial devida a sua ampla utilização e indicações terapêuticas, tanto na medicina veterinária quanto humana. Os AINEs são fármacos utilizados como analgésicos periféricos que, ao exercerem sua ação no organismo animal, inibem a formação de mediadores químicos, bloqueando a ação de prostaglandinas produzidas em resposta às agressões teciduais. Assim, a ação fisiológica exercida por tais mediadores fica abolida, podendo surgir efeitos indesejáveis . O objetivo do presente experimento foi o de analisar as possíveis alterações histológicas apresentadas pela mucosa gástrica, tecido renal, e parênquima hepático em ratos submetidos ao uso de anti-inflamatórios não-esteroidais como o ketoprofen e o piroxican, durante 15 dias sucessivos. Para tal, foram utilizados 30 ratos Wistar machos. Os animais foram divididos aleatoriamente, em grupos de 10 cada, com alimentos e água ad libitum. Um grupo foi tratado com ketoprofen, na dose de 2,2mg.Kg -1 .24h IM, e outro com piroxicam, na dose 0,3 mg.Kg -1 .24h IM, sendo as doses terapêuticas recomendadas. O 3º grupo serviu para controle. Na realização das análises histológicas, foi utilizada a técnica de inclusão em parafina e coloração de Hematoxilina-Eosina. Após observações em microscopia óptica, os cortes histológicos demonstraram mucosa gástrica sem descamação epitelial; vacuolização celular em alguns túbulos na periferia do rim apenas naqueles que receberam piroxican; parênquima hepático sem alterações quanto a citoarquitetura dos cordões de hepatócitos. Com isso conclui-se que os AINES estudados podem ser utilizados por período de até 15 dias, sem causarem efeitos colaterais microscópicos indesejáveis nos órgãos envolvidos com a absorção, metabolismo e excreção.  

INTRODUÇÃO

No início da década de 1970, John Vane descobriu que a aspirina tinha propriedade de inibir a conversão enzimática de ácido araquidônico em prostaglandinas, que são mediadores potentes da inflamação tissular, isso lhe valeu o prêmio nobel de fisiologia e medicina em 1982. A partir daí, vários compostos, chamados agentes anti-inflamatórios não-esteróides, foram sintetizados. No entanto, são recomendáveis certos cuidados na utilização desses fármacos, pois efeitos adversos podem aparecer.

A introdução de um agente agressor, de qualquer natureza física, química, ou biológica, seja ele endógeno ou exógeno, em um organismo, leva à perturbação do equilíbrio até ali existente entre seus constituintes tissulares.

Essa perturbação se exterioriza por modificações simultâneas vasculares, celulares, intercelulares e humorais. O conjunto dessas perturbações ditas de reação do organismo, constitui a inflamação.

O processo inflamatório ocorre após lesão tecidual, envolvendo um grande número de mediadores químicos origina estímulos nos nocirreceptores do tipo C, causando a dor. Os mediadores são histamina, bradicinina, substância P, leucotrienos e prostaglandinas. Entre outros a bradicinina e histamina originam a dor por estímulo químico direto, as prostaglandinas aumentam a sensibilidade dos nocirreceptores (JOHNSTON, 1996).

Os AINES inibem a síntese das prostaglandinas, como essas substâncias desempenham inúmeras atividades fisiológicas, podem surgir efeitos indesejáveis sobre vários órgãos ( COLARDELLE, 1988)

O uso de AINES é preconizado na rotina clínico-cirúrgica após várias técnicas operatórias, principalmente em intervenções ortopédicas, com a finalidade de aliviar a dor no período pós-operatório, ou na prevenção de possíveis fenômenos inflamatórios dos tecidos submetidos ao ato cirúrgico (CONLON, 1998)

O ketoprofen é um anti-inflamatório não esteroidal, com ação antipirética e alto poder analgésico não apresentando os efeitos indesejáveis dos opiódes, que provocam depressão respiratória e aumentam a sedação. Possui atividade anti-bradicinina, diminuindo o efeito potencializante da fase vascular inflamatória e a dor (MATSUDA et al., 1999), este mesmo autor ainda estudou o flunixin meglumine e o ketoprofen junto com acepromazina no pós-operatório de cirurgias ortopédicas e não teve qualquer problema de efeitos tóxicos. Estudo comparativo dos efeitos adversos de fenilbutazona, flunixin meglumine e ketoprofen em cavalos indicou que esses fármacos administrados por via endovenosa em eqüinos adultos normais revelam um potencial tóxico maior que a fenilbutazona, intermediário para o flunixin meglumine e menor para o ketoprofen (MACALLISTER et al., 1993).

Como medicamento anti-inflamatório não esteróide é utilizado na dose de 1,0mg.Kg –1 .24h Via oral para o cão e gato e na dose de 2,0mg.Kg -1 .24h IV para o eqüino (TASAKA, 1996).

O ketoprofen tem um efeito antipirético rápido, que persiste por até oito horas, após uma única aplicação de 2mg/ Kg de peso vivo por via subcutânea no gato (GLEW et al., 1996).

O piroxican é um potente agente anti-inflamatório que pode ser usado com sucesso, em liberação na medicina veterinária. Seu modo de ação é realizado com inibição da ciclo-oxigenase. Em pequenos animais o piroxican tem sido considerado como uma droga aparentemente não tóxica na dose 0,3 mg/Kg de massa corporal. (GALBRATH &MCKELLAR, 1991).

Este fármaco tem sido utilizado para a dor pós-operatória no homem sendo eficaz como a codeina, ou a aspirina em animais (SACKMAN, 1991).

Doses maiores do princípio ativo piroxican, na razão de 1,66 mg/Kg/ peso vivo são recomendadas (ADAWA, et al.; 1992).

SILVEIRA (2000) constatou que não ocorreram manifestações clínicas em cães durante os cinco dias a que foram submetidos à terapia com anti-inflamatórios não esteróides.  

MATERIAL E MÉTODOS

Foram utilizados 30 ratos Wistar adultos, machos, sadios, everminados, com peso médio de 150g provenientes do Biotério Central da UFSM. Os animais foram divididos aleatoriamente em quatro grupos com dez cada um. Os ratos foram mantidos em gaiolas metálicas e receberam água e ração adequada ad libitum durante todo o experimento.

A fase I correspondeu à aplicação da medicação terapêutica durante quinze dias.

A fase II à confecção de lâminas e análise dos resultados.

DOSAGEM

FÁRMACO

APLICAÇÃO

Grupo A

2,2 mg/Kg de 24 em 24 horas

Ketoprofen

Via intramuscular

Grupo B

0,3 mg/Kg de 24 em 24 horas

Piroxicam

Via intramuscular

A análise histológica foi realizada no Laboratório de Histologia do Departamento de Morfologia-CCS-UFSM.

RESULTADOS E DISCUSSÃO:

Após observação em microscopia óptica não foi evidenciada alterações nos respectivos tecidos.

A escolha de ketofen e do piroxican, baseado nos resultados microscópicos obtidos, pode ser correta, pois nenhum dos fármacos causou alteração patológica severa nos órgãos envolvidos com a terapia empregada e com isso caracteriza-se uma possibilidade de prescrição por períodos prolongados, desde que seja previamente observado a integridade dos órgãos de absorção, metabolismo e excreção do princípio ativo.

CONCLUSÕES:

- Não houve manifestações clínicas apresentadas pelos ratos durante os quinze dias a que foram submetidos à terapia com anti-inflamatório não esteróides.

- Os fármacos estudados podem ser utilizados com segurança por um período se até quinze dias, respeitando as doses terapêuticas recomendadas, sem causarem efeitos colaterais microscópicos indesejáveis nos órgãos envolvidos com absorção, metabolismo e excreção.

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

ADAWA, D.A.Y.; HASSAN, A.Z.ABDULLAH, S.U. et al. Clinical trial of long acting axytetracycline and piroxican in the treatment of canice ehrlichiosis. Vet. Q. v.15, p.118-120, 1992.

COLARDELLE, E. Etude toxicologique des anti-inflametories non stéidiens chez les carnivores doméstiques. Comparaison avec la toxicité chez les carnivores doméstiques. Comparaison avec la toxicité chez l”homme. Thése Doct. Vét. Lyon , n.2, 1988

CONLON, P.D. Non steroidal drugs used in the treatment of inflammation. Vet. Clin. North Amer , v.18,n.6, p.1115-1131, 1988 .

GALBRAITH, E.A.; MCKELLAR, Q.A. Pharmacokinetics and pharmacodynamics of piroxicam in dogs. Veterinary Record. v.128, p.561-565, 1991.

GLEW, A.; AVIAD, A.D.; KEISTER, D.M. et al. Use of ketoprofen as na anipyretic in cats. Can. Vet. Journal. v.37, p.222-228,1996.

JOHNSTON , S.A. Physiology, mechanisms, and identification of pain. Peoc. Predictable pain Management Symp. Orlando, flórida. P.5-11, 1996

MACALLISTER, C.G., MORGAN, S.J., BORNE, A.T; et al. Comparison of adverse effects of phenylbutazone, flunixin meglumine, and ketoprofen in horses. JAVMA. v.202, n.1, p.71-77, 1993.

MATSUDA, E.I., FANTONI, D.T., FUTEMA, F., et al. Estudo comparativo entre o ketoprofeno e o flunixin meglumine no tratamento da dor pós-operatória de cães submetidos a cirurgia ortopédica. Clínica Veterinária. n. 19, p. 19-22, 1999.

SACKMAN, J.E. Pain: Control of pain in animals. Part. II. Compend. Contin. Educ. Pract. Vet. V.13, p. 181-182, 1991.

SILVEIRA, A.F . Avaliação clínica, laboratorial e histopatológica de cães submetidos a terapia anti-inflamatória não esteróide . 2000.93f. Tese (Doutorado em Medicina Veterinária )- Universidade Federal de Santa Maria,Santa Maria, 2000).

TASAKA, A.C. Antinflamatórios não esteroidais. In: SPINOSA, H.S.; GÓNIAK, S.L.;BERNARDI, M.M. Farmacologia Aplicada à Medicina Veterinária. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. 1996.Cap.21.P.195-207.