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4. INFERTILIDADE
EM CADELAS COM CICLOS ANORMAIS
(Birchard,
SJ e Sherding, RG, 1994)
A
infertilidade ou subfertilidade em cadelas com alterações no ciclo estral nem
sempre decorre da alteração em si, e sim freqüentemente por cruzamentos realizados
em momentos inadequados.
4.1
Anestro persistente
Os
animais que se encontram em anestro persistente podem ser divididos em duas
subcategorias: aqueles que nunca tenham ciclado (anestro primário) e aqueles
em que tenha ocorrido um ou mais ciclos prévios, mas que não estejam mais ciclando
(anestro secundário). (Jonhston,SD et al, 1994)
4.1a Anestro primário (Puberdade tardia)
Causas: (Nelson, RW e Couto,
CG)
variabilidade normal
estro não detectado
maturidade atrasada (genético
ou nutricional)
Intersexo (desordens cromossomais,
uso de andrógenos)
Iatrogênico (administração
de andrógenos ou progestágenos)
desordens relacionadas ao
eixo HPO (por exemplo neoplasias, insultos traumáticos)
defeitos endócrinos (hipotireoidismo,
diabetes mellitus ou desordens da adrenal)
DIAGNÓSTICO
Histórico
*determinar método e freqüência
de detecção de estro, eliminar possibilidade de ter ciclado despercebidamente.
*descartar ovariohisterectomia
prévia.
*animais com menos de 24
meses podem ser pré-púberes.
*descartar possibilidade
de tratamento anterior com progestágenos e andrógenos, que poderiam suprimir
sinais de ciclicidade, durante o tratamento ou por algum tempo após este.
*cadelas idosas podem ter
ciclado muitas vezes e deixado de ciclar.
Exame físico
*avaliação física geral para
determinar se o estado de saúde é compatível com a ciclicidade (condição corporal
adequada) para sinais de estro e proestro.
*exame para doenças sistêmicas
que possam interferir na ciclicidade.
*exame para evidenciar intersexo.
*exame para evidenciar disfunções endócrinas,
como hiperadrenocorticotismo, hipotireoidismo, nanismo hipofisário.
*Avaliação laboratorial
*Realizar contagem completa sangüínea, urinálise
e perfil bioquímico, se indicado.
*Citologia vaginal para obter informação
do estágio do ciclo estral, e se o ciclo é normal ou não e a presença de metrite,
piometra, cervicite ou vaginite.
*Pesquisa de B. canis
*Mensuração
basal dos níveis de T3 e T4 , e de FSH (teste de estimulação
da tireóide com TSH)
*Teste endócrino:
- análise de progesterona sérica a cada
1-2 semanas. Concentração maior que 2ng/ml é sugestiva de corpo lúteo funcional
- concentração de LH maior que 30ng/ml
em três amostras consecutivas, com intervalos de 20 minutos, sugere ovariectomia
ou hipoplasia/aplasia ovariana
*Cariotipagem, recomendada em animais:
-
com evidência de genitália externa anormal
-
com histórico de nunca terem ciclado
- acima
de 18 meses de idade sem evidência de ciclicidade, após 6 meses de esfregaços
vaginais semanais
*Ultra-sonografia do trato reprodutivo:
fornece informações da presença ou ausência de aumento uterino, e/ou acúmulo
de fluidos e alguma anormalidade, como massas ovarianas
*Laparoscopia/ Laparotomia: considerar como
um método de avaliação do trato reprodutivo
*TRATAMENTO
*Animais com cariótipo anormal: recomenda-se
castração
*Animais com cariótipo normal que não ciclaram
até os 30 meses, são candidatos para indução do estro. Alguns protocolos para
indução do estro:
- administrar FSH 1-2mg, pela via
subcutânea ou intramuscular, nos dias 1, 3, 6 e 9, realizando citologias vaginais
em cada um desses dias. Quando a citologia revelar 80% de células superficiais,
cruzar a cadela e administrar hCG 500-1000UI, pela via intramuscular ou intravenosa
- administrar FSH 2mg/dia por 5-10
dias, seguido de hCG como acima
- administrar FSH 25mg semanalmente,
num total de 5 doses. Quando a cadela entrar em proestro, descontinuar FSH e
realizar citologia vaginal. Administrar hCG como acima e cruzar
- se a cadela demonstrar sinais de
proestro e retornar a anestro, fornecer 25mg, 10mg e 5mg de FSH em dias sucessivos,
seguindo de cruzamento e hCG
*Neoplasias: remoção cirúrgica dos tumores
ovarianos
*Desordens endocrinológicas: esquemas de tratamento para hiperadrenocorticotismo, nanismo hipofisário, hipotireoidismo, e hipertireoidismo
O anestro secundário
pode ocorrer em qualquer época após a puberdade e pode ser presenciado em situações
onde:
*O eixo hipotálamo - hipófise - ovários
(HPO) esteja sendo suprimido, como no hipotireoidismo, terapia exógena com glucocorticóides,
ou doença metabólica simultânea, stress, má nutrição.
*Exista uma anormalidade primária no eixo
HPO, como disgenesia ovariana (cadelas com essa patologia apresentam aumento
crônico os níveis plasmáticos de LH), condições de intersexo, cistos ovarianos,
neoplasias ovarianas ou ainda ovariohisterectomia prévia.
Deve-se
ainda considerar novamente a possibilidade da cadela ter ciclado sem que o proprietário
percebesse.
DIAGNÓSTICO
Histórico:
*senilidade (maior de 6-8 anos) pode estar
associada com redução da fertilidade e ciclicidade irregular
*algumas raças com híbrido de lobo e basenjis
podem ciclar apenas uma vez por ano
*avaliar a acurácia das observações para
sinais de estro
*analisar evidências de stress severo como
doença, má nutrição, debilidade, e também temperatura externa, que podem suprimir
sinais de proestro/estro ou prolongar anestro
*descartar a possibilidade de tratamento
com progestágenos ou andrógenos
*Exame Físico:
*realizar exame físico geral para avaliar
doenças sistêmicas
*examinar evidência clínica de disfunção
endócrina como hipotireoidismo, hiperadrenocorticotismo
*Avaliação Laboratorial:
*citologias vaginais semanais
*pesquisa de B. canis
*mensuração das concentrações basais de
T3 e T4 e/ou teste de estimulação com TSH
*realizar o teste endócrino (idem falha
no ciclo)
*contagem completa sangüínea, perfil bioquímico,
urinálise, se indicado
*cariotipagem em animais acima de 18 meses
que falharam em ciclar após 6 meses de exposição a outras fêmeas ciclantes e
machos
*Ultra-sonografia: fornece informações sobre
o tamanho do ovário
*Laparoscopia/Laparotomia: devem ser consideradas
para avaliar o trato reprodutivo
TRATAMENTO
*Colocar a cadela com outras fêmeas ciclantes
e a expor regularmente ao macho
*Indução de estro como descrito para o tratamento
de falha em ciclar
* Remoção cirúrgica de neoplasias ovarianas
* Não existe tratamento para o declínio de fertilidade visto em cadelas
idosas
O
período proestro + estro não é considerado anormal em cadelas até ultrapassar
35-40 dias, e pode ser caracterizado por uma cadela apresentando sangramento
vaginal por mais de 20 dias (proestro prolongado) ou aceitando o macho por mais
de 20 dias (estro prolongado) (Drazner, FH, 1987). Há um atraso do desenvolvimento
folicular mas a ovulação subseqüente ocorre.
A
persistência do proestro/estro pode acontecer em conseqüência de: (Hosken, RF,
1994)
*cistos ovarianos foliculares funcionais
*administração exógena de estrógeno
*neoplasias ovarianas produtoras de estrógeno
DIAGNÓSTICO
*Histórico:
*descartar a possibilidade de tratamento
com produtos estrogênicos
Exame Físico:
*avaliação física geral
*exame da genitália externa, procurando
por evidências de influência estrogênica (vulva aumentada, edemaciada e descarga
vulvar) e massas abdominais como tumores ovarianos
Avaliação Laboratorial:
*citologia vaginal pode demonstrar presença
de influência estrogênica, determinada pelo grau de cornificação e presença
ou ausência de glóbulos brancos, vermelhos e debris do fundo do esfregaço
*proestro persistente : 50 a 90 % células
superficiais totalmente queratinizadas
*estro persistente : 90% ou mais de células
superficiais totalmente queratinizadas
*teste endocrinológico: concentrações de
estrógeno maiores que 15pg/ml são sugestivas de proestro ou estro, contudo níveis
estrogênicos normais não descartam a possibilidade de estro persistente.
*Ultra-sonografia do trato reprodutivo pode
descartar ovários aumentados e estruturas foliculares nos ovários
*Radiografias do abdômen podem fornecer
informações sobre presença de ovários aumentados e massas ovarianas
TRATAMENTO
*Induzir
ovulação ou tecido luteal com hCG (500-1000UI, pela via intravenosa ou intramuscular)
ou GnRh (50-100μg, pela
via intravenosa ou intramuscular). Checar os animais utilizando Ultra-som, citologia
vaginal e análise de progesterona sérica antes do tratamento e 14 dias após
o tratamento para monitorar a resposta
*Administrar
terapia andrógena por 3 a 4 meses e depois cruzar no estro subseqüente
*Recomenda-se
ovariohisterectomia para cadelas que não haja intenção de cruzamento
*Remoção cirúrgica dos ovários neoplásicos
*Síndrome neuroendócrina que é traduzida
do ponto de vista clínico, por um prolongamento do cio além dos limites normais,
podendo transformar-se em permanente por exagero do impulso sexual
*Geralmente este distúrbio está associado
com degeneração cística do ovário, sendo mais raramente reflexo de tumores da
granulosa
*Etiologia: múltipla e variada, freqüentemente
condicionada a uma predisposição hereditária
*Depende essencialmente de uma síndrome
hipotálamo-hipofise-ovário e os sintomas observados apontam a favor de um desequilíbrio
FSH-LH no sentido de uma ação predominante de FSH
*Não ocorre ovulação e formação de corpo
lúteo e, de outra parte, o folículo continua crescendo sob o efeito de um relativo
excesso de FSH
LESÕES
*tanto um como ambos os ovários podem apresentar
folículos relativamente grandes
*é possível também a ocorrência de grande
número de cistos de pequenas dimensões, alguns destes cistos são recobertos
interiormente por fina camada de tecido luteínico, porém a maioria possui parede
delgada, semitransparente, contendo líquido claro
*por vezes, no ovário permanece muito pouca
quantidade de tecido são
*as células da granulosa estão ausentes
ou degeneradas, e as da teca interna sofrem a mesma alteração ou apresentam
fenômenos de hialinização ou de infiltração serosa
*o miométrio torna-se espesso e edemaciado,
a mucosa uterina irregularmente hiperplásica, as glândulas uterinas císticas
e a submucosa aparece infiltrada de linfócitos e de células plasmáticas
SINTOMATOLOGIA
*estado de hiperfoliculenemia
*distúrbios psíquicos
* indícios físicos
*modificações do ciclo estral
DIAGNÓSTICO
*Diferenciar dos cios prolongados com ovulação
retardada e do virilismo
TRATAMENTO
*Com gonadotrofina coriônica, ou com progestágeno,
especialmente a medroxiprogesterona; os resultados são irregulares
*Em caso de fracasso do tratamento médico,
pode-se recorrer à castração; assim se consegue o retorno à quietude sexual
Intervalos
com menos de 4 meses são freqüentemente observados em cadelas. Muitas são inférteis
provavelmente por falha na implantação do embrião, já que o endométrio ainda
não está recuperado do ciclo anterior, um processo que normalmente necessita
de 120-150 dias. (Nelson, RW e Couto, CG, 1992)
A
administração de gonadotrofinas ou estrógenos pode diminuir o intervalo interestro,
mas para a maioria das cadelas a causa é desconhecida, suspeita-se que essa
patologia seja originada por concentrações insuficientes de progesterona, havendo
falha na ovulação ou luteinização. Devem ser diferenciados de split heats.
(Drazner, FH)
DIAGNÓSTICO
Histórico:
*determinar métodos e freqüência de detecção
de estro, eliminar a possibilidade de ter ciclado despercebidamente
*assegurar que o intervalo interestro seja
menor que 4 meses
*descartar possibilidade de tratamento com
compostos hormonais como estrógenos
Exame Físico:
*avaliação física geral
*observar o comportamento da fêmea frente
ao macho intacto
Avaliação Laboratorial:
*realizar citologia vaginal para confirmar
que a cadela está em estro
*considere teste endócrino, incluindo concentração
de estrógeno e progesterona
TRATAMENTO
*Induzir a ovulação (ver anestro persistente),
quando é comprovado pela citologia e análise de progesterona que o animal está
em estro; seguindo de cruzamento
*Administrar terapia andrógena (mibolerone-30μg/lb 1x ao dia, via oral-
no máximo 180μg) por 3 a 4 meses e então cruzar no estro subseqüente;
esse tratamento não é recomendado em cadelas menores de 3 anos, porque estas
apresentam irregularidade no ciclo estral
*Ovariohisterectomia é recomendada para
animais que não haja intenção de cruzar
4.5
Split heats
Uma
cadela que apresente split heats demonstra sinais de proestro, como sangramento
vaginal , intumescimento de vulva, e atrai machos, entretanto não mantém o cio
entrando em aparente diestro seguido por novo proestro 2-10 semanas depois.
Isso pode repetir-se por muitas vezes.(Feldman,EC e Nelson, RW )
Acredita-se
que cada proestro esteja acompanhado de desenvolvimento folicular e secreção
de estrógeno, contudo a ovulação não ocorre e os folículos tornam-se atrésicos.
Então, um novo grupo de folículos se desenvolve, aumentam os níveis de estrógeno,
expondo novamente a cadela aos sinais de proestro. ( Perkins,NR e Thomas, PGA,
1993)
Podem
ser confundidos com proestro e estro persistentes ou com intervalos interestros
diminuídos.
A
causa ainda é discutida mas acredita-se que pode ser devido à dor resultante
da monta, intimidação durante o início do estro ou atresia idiopática dos folículos.
( Nelson, RW e Couto, CG, 1992)
É
freqüentemente observado em cadelas jovens, que posteriormente apresentam ciclos
normais.( Perkins, NR e Thomas, PGA, 1993). Raramente ocorre repetidamente em
uma mesma cadela. ( Nelson, RW e Couto, CG, 1992)
Normalmente
é uma anormalidade temporária e não requer tratamento. (Nelson, RW e Couto,
CG, 1992)
4.6
Intervalos interestros aumentados (Nelson,
RW e Couto, CG, 1992)
Intervalos
interestros maiores que 9 meses são considerados anormais em cadelas. (
Feldman, EC e Nelson, RW, 1987). Deve-se consirerar, entretanto,
a variação racial.
Causas:
Pode
ocorrer também em cadelas mais velhas.
DIAGNÓSTICO
Histórico:
*rever as técnicas de detecção de estro
*terapias anteriores, medicações
Exame Físico:
*estado geral e metabólico do animal
Avaliação laboratorial:
*Contagem sanguínea
*Painel bioquímico
*Urinálise
*Função tireóide
TRATAMENTO
Em
cadelas sem nenhuma patologia primária que esteja causando o prolongamento dos
intervalos pode-se induzir o estro com FSH e LH ou hCG. (Ettinger, SJ, 1992)
4.7
Cio silencioso
É
um termo utilizado para descrever uma condição onde as cadelas apresentam ciclos
que endocrinologicamente são normais, porém falham em exibir qualquer manifestação
externa de cio.
Podem
ser confundidos com anestro persistente, mas nesse caso o estro está ocorrendo,
só que despercebidamente.
Em
alguns casos essa falha em demonstrar cio têm sido relacionada a níveis inadequados
de 17β-estradiol, LH e progesterona ou uma resposta pobre a esses hormônios.
Essa condição também tem sido reportada em cadelas criadas afastadas desde cedo
de outros cães, causando uma lacuna de estimulação psicológica. (Drazner, FH,
1987)
Alguns
autores consideram que cio silencioso seja qualquer situação onde o ciclo esteja
ocorrendo sem ser detectado seja porque a cadela seja porque a cadela não apresente
alguma secreção vulvar ou seja porque a cadela tem um comportamento de higiene
muito acentuado e não permita que a secreção seja percebida. (Freshman, JL ,
1991)
DIAGNÓSTICO
Avaliação Laboratorial:
*realizar a mensuração da progesterona sérica:
( Nelson,RW e Couto, CG, 1992)
*1.O - 1.9 ng/ml indica ovulação em 3 dias
*2.0 - 2.9 ng/ml indica ovulação em dois
dias
*3.0 - 3.9 ng/ml em um dia
*4.0 - 8.0 ng/ml ovulação naquele dia
*> 2 ng/ml pode indicar cio silencioso
*Citologia vaginal para confirmar o estro.
TRATAMENTO
O
tratamento não é necessário, mas fêmeas afetadas provavelmente não aceitem o
macho, portanto se houver interesse em cruzamento deve -se realizar inseminação
artificial, monitorada pela citologia vaginal ou análises hormonais, (Nelson,
RW e Couto, CG) considerando que o melhor dia para o cruzamento ou inseminação
para tamanho máximo de ninhada é dois dias
após
ovulação ( Kustriz, R, 1999)
4.8
Estro diminuído (Nelson,
RW e Couto, CG, 1992)
Normalmente
estro com menos de 3 dias de duração é decorrente de erros na observação ou
reconhecimento do estro.
Pode realmente estar ocorrendo em cadelas com
mais de 6-8 anos, e em alguns indivíduos pode ser considerado normal.
Não traz conseqüências significantes, apenas
deve-se detectar o proestro/estro com auxílio de outros métodos para poder realizar
o cruzamento com sucesso no tempo apropriado.
5. CASOS NA LITERATURA
5.1 Proestro prolongado
em cadelas com X monossomia cromossômica (77,X0)
(Löfstead, RM et al, 1992)
Uma
cadela de 9 meses de idade da raça Esquimó americano miniatura com proestro persistente tinha o seguinte histórico:
aos 7,5 meses de idade a cadela começou a apresentar edema vulvar com descarga
proestral. Depois de 42 e 50 dias, a cadela foi tratada com 500 UI de gonadotrofina
coriônica humana em cada dia para induzir ovulação, presumindo que ela tivesse
cisto ovariano. O tratamento não foi efetivo, 59 dias depois do início do proestro,
a vulva continuava inchada e a citologia vaginal era consistente com o proestro.
Nesse momento, a concentração de progesterona sérica era 0,1 ng/ml e a concentração
de estrógeno sérico total era 241pg/ml. A concentração estrogênica era compatível
com proestro e a baixa concentração de progesterona evidenciava que a cadela
não tinha ovulado ainda. Durante o período do proestro prolongado, mas especialmente
no seu início, a cadela era atrativa para os machos.
Esses machos freqüentemente tentavam montar nela, porém a cadela deitava
passivamente e não permitia a monta.
Dois meses após o início do proestro, a cadela recebeu outras duas injeções
de gonadotrofina coriônica humana (cada 150UI, IM) ,sendo que entre as injeções
houve um intervalo de 5 dias. Após duas semanas o esfregaço vaginal indicou
que a condição dela não havia mudado. Ela foi então tratada com 1mg de FSH IM
12/12horas por 5 dias seguido de 10μg
de GnRH IM no sexto dia. Isto foi feito porque o FSH tinha sido relatado como
indutor de sítios de receptor para LH nas células granulosas do folículo ovariano.
Contudo, análises do esfregaço vaginal feitas 3 e 18 dias depois (3 a 3,5 meses
após o início do proestro) indicaram que esse tratamento também tinha falhado
na indução da ovulação. Nesse momento, a concentração total de tiroxina sérica
era normal. O teste de estimulação com hormônio estimulador da tireóide não
foi feito.
Após 4,5 meses de sinais contínuos de proestro, consistindo em atração
pelos machos, edema vulvar, descarga vulvar hemorrágica intermitente, e a citologia
vaginal indicava normalmente mais de 80% de células superficiais. Um exame físico
não revelou anormalidades exceto pela pelagem escassa.
De acordo com o proprietário, a cadela era pequena para a idade dela.
Às seis semanas ela pesava 1,6 Kg, considerando que a média do peso de suas
5 irmãs era 2,7Kg. Na opinião do proprietário, a aparência facial da cadela
era incomum, porque suas orelhas eram inseridas baixas na cabeça dela e eram
muito afastadas e por isso apontavam para fora ao invés de para cima.
A
vagina da cadela foi examinada usando um endoscópio flexível 9mm e esta foi
encontrada sendo grosseiramente normal. A cérvix não pôde ser visualizada, mas
isso é comum durante o proestro, especialmente quando um endoscópio com 9mm
de diâmetro é usado numa cadela desse tamanho. Por base do comprimento do vestíbulo
e da vagina dela (19cm), foi sugerido que não havia aplasia segmentar desta
parte do trato reprodutivo. Nesse momento, a vulva da cadela estava aumentada
e sua citologia vaginal era consistente com proestro atrasado. Devido à história
incomum da cadela, a análise do cariótipo foi feita pelo sangue dela e o diagnóstico
de 77,XO foi retornado.
Depois
de 7,5 meses de proestro contínuo ela foi ovariohisterectomizada e o cariótipo
do sangue e da pele foram examinados. Em 30 esfregaços de linfócitos e 30 esfregaços
de fibroblasto da pele todas as células tinham cromossomo 77,XO. Além disso,
em 500 neutrófilos examinados “drumsticks” não foram encontrados. Cadelas normais
devem ter cariótipos 78,XX com aproximadamente 4% de “drumsticks”.
Um
dia antes da ovariohisterectomia, essa cadela continuava com vulva inchada e
a citologia vaginal era condizente com proestro. Uma baixa concentração de progesterona
sérica (0,2 ng/ml) naquele dia indicou que ela não tinha ovulado. A concentração
de testosterona sérica foi mensurada porque esta tinha sido encontrada baixa
em outra cadela com XO monossomia, mas nessa cadela ela era normal com 0,04ng/ml.
Com 1 semana após a ovariohisterectomia, a descarga hemorrágica cessou e o edema
vulvar regrediu.
Os
ovários eram aproximadamente 8x6x6 mm e no
exame histológico não havia evidência de nenhum desenvolvimento folicular. Isso
foi inesperado devido à persistência da aparência proestral e seu rápido desaparecimento
depois da ovariohisterectomia. O epitélio germinal pareceu estar em um estado de degeneração. Não havia corpo lúteo
ou corpo albicans. Contudo havia esferas ou cordões epiteliais observadas com
grande abundância. Nas esferas mais largas havia células com nucléolo proeminente
que tinham citoplasma vacuolizado. Estas eram parecidas com células em um corpo
lúteo ativo e foi concluído que elas podem ter sido ativadas esteroidogenicamente.
Uma
população grande de células parecidas com linfócitos também estava presente
nessas esferas epiteliais o que sugeriu que uma resposta imune pode ter sido
envolvida na degeneração do ovário.
As
tubas uterinas pareceram estar bem desenvolvidas e eram revestidas por epitélio
ciliado proeminente. O útero era grosseiramente normal, mas havia uma condição
cística das glândulas uterinas. Isso era inesperado porque era conhecido que
não havia estrutura luteal nos ovários e o útero não tinha sido exposto a altas
concentrações prolongadas de progesterona. Isso indicou que o estrógeno pode
ser importante na patogênese da hiperplasia cística endometrial, apesar do estrógeno
sozinho ter mostrado ser incapaz de induzir cistos glandulares. Havia uma indicação
de que essa cadela pode ter tido um estado de piometra anteriormente porque
havia um acúmulo de granulócitos em uma parte do lúmem uterino.
Esse
caso foi incomum por diversas razões. Primeiro 77,XO é raro em cães, pelo o
que se sabe esse é o segundo caso relatado. Essa cadela no estado de proestro
persistente não apresentou: hipertrofia clitorial, alta concentração sérica
de testosterona, baixa concentração sérica de estradiol, aplasia na parte cranial
de um corno uterino; no entanto ela apresentou: disgenesia gonadal, deformação
facial e tamanho do corpo pequeno.
Dois
anos após ter sido ovariohisterectomizada, foi encontrada sua concentração basal
sérica de LH entre 10,4 e 13,7 ng/ml e sua concentração de FSH entre 1,005 e
2,004 pg/ml. Quando foi injetado 100μg de GnRH IM na cadela , sua concentração sérica de LH
aumentou 5 vezes acima do valor padrão.
5.2 Indução do estro em cadelas
com anestro normal
(Wanke,
MM et al , 1997)
Resumo:
A hMG foi administrada IM em 10 cadelas durante um anestro aparentemente normal
(n=7) ou anestro persistente (n=3). Cada cão recebeu uma
dose de 75UI de hMG (75UI LH, 75UI FSH; 1- 7 unidades/Kg) diariamente
por 9 dias. Nove cadelas responderam com sinais óbvios de proestro entre 3 e
9 dias; entre elas, 3 tiveram um proestro fraco, 2 apresentaram estro normal
e ovulação, mas falharam na concepção e 4 ficaram prenhes no ciclo induzido
e geraram ninhadas normais após 72 a 85 dias do começo do tratamento (incluindo
a cadela tratada em 24 meses depois do último estro). Em 2 casos, o tratamento
resultou em ovulação seguida de 25 ou
34 meses de anestro puberal crônico, sendo que uma delas ficou prenhe. Os resultados
sugerem que hMG pode ser uma útil preparação gonadotrófica para indução de estro
em cães.
Introdução:
As cadelas são animais monoéstricos, sendo que o anestro varia de 2 a 10 meses
seguido de 2 meses de fase luteal de ciclo de prenhez ou não-prenhez. O intervalo
interestro normal é entre 5 a 12 meses.
As
razões clínicas para a indução de estro são: cadelas com anestro persistente
e cadelas puberdade tardia.
Muitos
protocolos de indução de estro com gonadotrofinas, pulsos de GnRH, injeção ou
infusão de agonista de GnRH e agonista dopaminérgico têm sido relatados na indução
do estro em anestros de cadelas. Em alguns casos os resultados não são satisfatórios
para o uso clínico, enquanto que em outros casos a preparação de hormônio requerida
não é permitida para uso veterinário em muitos países.
Material
e Métodos:Foram utilizados 10 animais saudáveis em anestro de várias raças com
peso entre 11 a 70 Kg. O dia do anestro foi determinado usando a história contada
pelos proprietários. O anestro foi confirmado em cada cadela baseando-se no
nível sérico de progesterona <1ng/ml determinado por ensaio imunoenzimático
e ausência de células superficiais ou intermediárias no esfregaço vaginal .
Duas
cadelas de 25 e 34 meses de idade nunca haviam exibido estro antes. As outras
8 cadelas estavam em estágios conhecidos depois do estro anterior; incluindo
7 cadelas anestro-normal, em cinco a oito meses aproximadamente depois do último
estro, e uma cadela anestro persistente, com aproximadamente 24 meses depois
do último estro.
Tratamento:
Cada cadela recebeu diariamente uma injeção IM de hMG (75 UI de LH e 75 UI de
FSH por 75 UI ampola). A droga liofilizada foi diluída em 3 ml de solução salina
imediatamente antes da injeção.
Das
10 cadelas 7 receberam injeções diárias de 75 UI hMG por 9 dias. Em 2 cadelas
o tratamento foi interrompido por 1 dia (dia 4 ou 5) e então continuado até
a nona injeção. Em um caso, o tratamento foi interrompido depois de 7 dias devido
à resposta antecipada de proestro da cadela.
O
dia da primeira injeção de hMG foi considerado o dia 0 de tratamento.
Observação
e Cruzamento: Durante o tratamento as cadelas foram examinadas diariamente,
incluindo esfregaço vaginal e observações de edema vulvar, vaginoscopia e descargas
serosanguinolentas.
Os
esfregaços vaginais foram obtidos e classificados, tendo sido corados através
do método tricrômico de Schorr. seguido de fixação com spray citológico comercial.
Índices eosinofílicos também foram determinados.
As
cadelas foram testadas para comportamento estral diariamente, começando quando
o esfregaço vaginal apresentava ≥
90% de células epiteliais superficiais. Os cruzamentos foram permitidos dias
depois da observação do estro.
LH
e Progesterona séricos: Com poucas exceções, as amostras de sangue foram obtidas
1 a 2 dias antes do tratamento, no primeiro dia do tratamento e em dois dias
consecutivos durante o tratamento.
Nas
cadelas que responderam com proestro, o sangue foi coletado de um a cinco dias
de intervalo do médio-proestro (50% de cornificação) até o nível sérico de progesterona
ser maior que 7,5 ng/ml baseado no nível de progesterona .
Em
2 cadelas as amostras foram colhidas diariamente enquanto que em outras duas
as amostras foram colhidas a cada 3 a 4 dias durante a indução do proestro e
estro.
A
progesterona foi determinada por RIA em todas as amostras e o LH foi determinado
nas amostras coletadas durante o período de crescimento ovulatório.
Para
cada ciclo induzido, o dia de surgimento de LH pré-ovulatório foi determinado
baseado nos picos de LH detectados pela análise de LH (n=3) ou por interpolação
baseado no tempo de aumento inicial de progesterona (n=3), mas excluindo os
dias que o LH não aumentou.
A
ovulação foi considerada como ocorrida se a concentração de progesterona fosse
≥ 2ng/ml por ≥ 10 dias ou se a prenhez ocorresse.
Resultados:
Das 10 cadelas 9 mostraram proestro, edema vulvar, descarga serosanguinolenta
e aumento do número de células epiteliais no esfregaço vaginal entre 3 a 9 dias
de tratamento. Três cadelas apresentaram edema vulvar e descarga serosanguinolenta
pouco significativas durando somente 2 a 3 dias. Seis cadelas demonstraram forte
resposta de proestro ( ≥ 90% de células superficiais no esfregaço e evidente
comportamento estral ). A ovulação ocorreu durante um estro aparentemente normal.
Dessas cadelas 4 ficaram prenhes e pariram ninhadas normais. A resposta inicial
foi semelhante em 3 das 4 cadelas: o proestro começou no sexto ao décimo dia
e durou 9 a 11 dias, o estro iniciou-se do décimo sexto ao vigésimo dia e durou
6 a 8 dias. A primeira elevação na progesterona ≥ 1 ng/ml e/ou pico de
LH ocorreu do décimo quinto ao décimo nono dia.
As
gestações foram normais e as cadelas deram filhotes nos dias 82, 83 e 85 dias
após o início do tratamento.
Nas
4 cadelas que ficaram prenhas o proestro começou no terceiro dia e uma cornificação
vaginal extensiva ocorreu no sexto dia. O tratamento foi interrompido após o
sexto dia para evitar superestimulação ovariana. O primeiro crescimento de progesterona
e o pico de LH ocorreram no sétimo dia. As cadelas foram inseminadas no nono
e décimo segundo dia e um filhote foi removido por cesariana 71 dias após o
começo do tratamento.
Cada
uma das 4 gestações foi normal e resultaram em ninhadas de 1 a 13 filhotes cada.
A média do tamanho da ninhada foi de 6,7 ± 2,1 filhotes. O intervalo proestro,
estro, surgimento do LH e parto foram 6 ± 1, 16 ± 2, 14
± 1 e 80 ± 3 dias do começo do tratamento respectivamente
Duas
cadelas ovularam mas não ficaram prenhas. Em uma delas, o proestro e estro foram
breves, mas a progesterona aumentou no décimo sexto dia e ficou elevada por
≥ 40 dias. A outra teve proestro e estro similar àquelas que ficaram prenhas,
com tudo a duração de função luteal além de 10 dias não foi determinaram.
As
cadelas de resposta fraca mostraram apenas pequenos acréscimos na porcentagem
de células epiteliais cornificadas (15 a 20 %). As 6 cadelas restantes apresentaram
> 90% de células superficiais pelo oitavo a décimo quinto dia e um índice
máximo eosinofílico atingindo 53 97%
no oitavo a vigésimo quinto dia.
Para
cada cadela com esfregaço vaginal semelhante ao estro, oportunidades de cruzamento
foram fornecidas cada 2 a 3 dias depois do começo do estro até o início do diestro.
Todas
as 6 cadelas aceitaram monta natural e mostraram comportamento estral normal.
Em cada uma das 6 cadelas a concentração de progesterona ficou elevada acima
de 15ng/ml enquanto que não havia acréscimos detectáveis nas 4 cadelas que não
ovularam.
Das
10 cadelas nove retornaram ao estro entre 1,5 a 12 meses após o tratamento.
Nas 4 cadelas não-ovulatórias o próximo ciclo ocorreu 42 a 114 dias depois do
início do tratamento. Das 6 cadelas que ovularam cinco tiveram o próximo ciclo
entre 240 a 360 dias após o ciclo induzido.
A
cadela que não havia exibido ciclo antes do tratamento não teve um segundo ciclo
durante 600 dias de observação após o estro induzido.
A
dosagem diária de hMG relativa para o peso corporal nas 6 cadelas que ovularam
(4,1±2,2 UI/Kg) não diferiu (P>0,2) das 4 cadelas que não ovularam ou que
responderam com proestro (2,5±1,1 UI/Kg).
Discussão:
O hMG é capaz de induzir estros férteis em cadelas. A porcentagem de prenhez
de 40% para as cadelas tratadas é semelhante ao reportado para outros regimes
gonadotróficos (PMSG ou FSH apenas, ou em combinação LH ou hCG).
A
dose de hMG por cão por dia foi selecionada por conveniência e não foi relacionada
ao peso corporal. A dose diária resultante foi de 1,1 a 6,8 UI/Kg de peso corporal,
mas não havia indicação clara de resposta dose-dependente.
Em
5 cadelas as ovulações ocorreram vários dias após o final do tratamento. Nestas
cadelas a ovulação foi espontânea e ocorreu em resposta a uma carga endógena
de gonadotrofina, que ocorreu como resultado da indução da fase folicular pelo
hMG, e não foram respostas intensas as injeções individuais de hMG.
Três
cadelas em considerável anestro prolongado responderam ao tratamento e ovularam
enquanto que uma delas não ficou prenhe, isso pode indicar que induzir estro
em cadelas de anestro prolongado pode ser mais fácil que em cadelas de ciclo
normal.
A
cadela que ficou prenhe na indução do estro aos 25 meses de idade, mas depois
falhou em ciclar novamente por mais de 600 dias pode representar um caso de
defeito pituitário ou hipotalâmico.
6. LEVANTAMENTO EM CLÍNICAS VETERINÁRIAS
Um
pequeno levantamento foi realizado em clínicas veterinárias na tentativa de
ilustrar melhor a importância das alterações do ciclo estral e evidenciar como
ocorrem estas patologias, em que grau, e se normalmente são diagnosticadas e
tratadas.
Para
isso foi elaborado um questionário, englobando as principais questões sobre
o assunto. Esse questionário, juntamente com uma carta de apresentação, foi
deixado em 35 consultórios ou clínicas veterinárias na cidade de São Paulo,
e enviado por e-mail para 44 consultórios ou clínicas veterinárias para várias
cidades brasileiras, dois questionários foram enviados por fax. Destes questionários
enviados 38 foram respondidos.
Apesar
de sabermos da ocorrência e importância dessas patologias, nos surpreendemos
quando a maioria dos questionários respondidos apontava para uma incidência
relativamente alta das alterações do ciclo estral.
Contudo,
outra surpresa foi perceber que apesar da literatura fornecer vários protocolos
de diagnóstico e tratamento para as diversas alterações do ciclo estral, na
prática muito pouco é realmente utilizado; segundo os questionários respondidos,
em 76 % das vezes a causa não é diagnosticada, principalmente por falta de interesse dos proprietários
(43 %) e por falta de recursos financeiros (32 %) .
Ainda
quando a causa é diagnosticada raramente o tratamento é realizado, alguns médicos
(as) veterinários (as) nos informaram que nunca haviam realizado tratamento
específico. Quando o tratamento é feito, a maior motivação ocorre quando a saúde
da cadela está sendo prejudicada (35 %), quando a anormalidade traz incômodo
ao proprietário (29 %) ou quando há interesse em cruzar o animal (26%).
Na
nossa opinião, além do problema financeiro, muitas alterações não são diagnosticadas e/ou tratadas porque o
proprietário não vê vantagem nisto; quando não há interesse em cruzar o animal,
e essa alteração não gera incômodos ao proprietário, ao contrário às vezes pode
beneficiá-lo; evitando alguns transtornos como secreção vaginal sanguinolenta,
atração de machos entre outros; este
então não vê motivos para realizar diagnóstico e tratamento, que muitas vezes
é dispendioso e trabalhoso.
Ainda
que as técnicas de diagnóstico e tratamento apresentadas nesse trabalho não
sejam aplicadas rotineiramente pelos médicos veterinários, é de fundamental
importância para os criadores, já que uma cadela infértil traria grandes prejuízos
econômicos a estes, portanto o tratamento certamente valeria a pena. Com o passar
dos anos talvez essa realidade mude e as técnicas passem a ser difundidas e
utilizadas com maior freqüência, até mesmo pelos proprietários de animais de
estimação.
8. AGRADECIMENTOS
Gostaríamos
de agradecer aos médicos (as) veterinários (as) que participaram deste trabalho,
respondendo aos questionários :
Dr. Milton Kolber
Dra. Rosângela Pinheiro
Cãobelereiro
Pet Shop - São Paulo - SP
Dra. Maria Mieko N. Duarte
Clínica
de cães e gatos Dr. Kenji - São Paulo - SP
Dr. Christiano Ghiraldelli
Dr. Paulo César Medeiros
Midas
Dog - São Paulo - SP
Dra. Augusta M. Kerbaly
Dr. Wagner G. Mello
Pros Bichos,
Produtos e Serviços Veterinários - São Paulo - SP
Dra. Margarete Preterote
de Cunto
Alo
Au Au - São Paulo - SP
Dra. Simone M. Guimarães
Pet
Dogstore - São Paulo - SP
Dra. Ana A. J. Torrello
Dog
Service - São Paulo - SP
Dra. Maria Inês Baraúna
Clínica
Veterinária Reino Animal - São Paulo - SP
Dr. Luiz Renato F. Rocha
Lar
Dogs - São Paulo - SP
Dr. André Luiz P. Antunes
Dra. Alessandra C. Pires
Amicão
Pet Shop e Clínica Veterinária - São Paulo - SP
Dra. Mariana Musolino
Gaia
Veterinária - São Paulo - SP
Dra. Glória Satie Tominaga
Dr. Maurício Macedo
Pet
Life - São Paulo - SP
Dra. Márcia R. Gentile
Pet
Palace - São Paulo - SP
Dr. Élio Ricardo de Creddo
Dr. Fernando César Patitucci
Dr. Amauri Miyashiro
Dra. Adriana Mincarone
AM Guará - Porto Alegre - RS
Prof. Felipe Wouk
Dr. Sidney Piesco de Oliveira
Anjo
da Guarda - São Paulo - SP
Dra. Cristiane Nowicki e Dr. Adriano C. H. Macedo
Clínica
Veterinária Pedigree - Jundiaí - SP
Dra. Silvana M. Souza e Dr.
Cleibe Ferreira
Dra. Edylvia P. Costa e Dr.
Rodrigo F. Flaquer
Dr. Túlio Antônio Pinheiro
A
Periquita - Taboão da Serra - SP
Dra. Maria Angélica de Lima
Quattro
Lampe Pet Shop - São Paulo - SP
Pet Care Hospital Veterinário - São Paulo - SP
Dra. Sabrina Fernandez
Clínica
Veterinária Paulista - São Paulo - SP
Dra. Ana Paula Patali e Dr. Carlos Roberto Fernandes
Hospital
Veterinário Cãovivência - São Paulo - SP
Call
Vet Clínica Veterinária - São Paulo - SP
10. REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
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http://lam.vet.uga.edu/LAM/LM000029.HTM
Carolina de Oliveira Ghirelli
Cristiane
Musolino
Luciana Montel Moreno