
Editorial
Notícias e novidades
Artigos científicos
Listas de discussão
Cirurgias em vídeo
Oferecem estágio
Procuram estágio
Links interessantes
Serviços veterinários
Deixe a sua mensagem
Ortopedia com Dra. Lucine Janiak
Lançamentos
Cursos e eventos
Instituições
de ensino veterinário
Cirurgias em fotos
Agradecimento
Página inicial
Raças
de Cães
Raças
de gatos
Peixes ornamentais
Serviços veterinários
Fale com o veterinário
Achados e perdidos
Casamentos
Doenças mais comuns
Tire suas dúvidas
Criadores
Listas de discussão
Doações
Adoções
Venda de animais (particulares)
Lista de nomes para animais
Links interessantes
Escolha seu cão
Escolha seu gato
Escolha seu animal de estimação
Assuntos importantes
Editorial
Mostre o seu amigo (fotos)
Conte a história
Instituições de ensino
veterinário
Kennel clubes
Clubes
Associações
Federações
Cliparts
Curiosidades
Página inicial
Ciclo Estral Nos Animais
Adriano
Valentim dos Santos
Acadêmico
da Universidade METODISTA de São Paulo - UMESP
Estagiário da Clínica Veterinária Anjo da Guarda
Márcio
Orlando Ferrazzoli
MV
Autônomo - Anjovet - Supervisor de estágio - marcio@redevet.com.br
INTRODUÇÃO
A vida de todo ser teve início quando duas células se encontraram
num órgão do corpo materno. Uma delas o óvulo é
redonda, fabricada nas glândulas sexuais da fêmea - os ovários.
A outra, o espermatozóide, fabricado nas glândulas sexuais masculinas
- os testículos, tem o núcleo trinta a quarenta vezes menor
do que o óvulo e uma cauda que lhe permite movimentar-se. Os espermatozóides
são depositados pelo macho na vagina da fêmea, indo encontrar-se
com o óvulo em suas vias genitais altas, ou seja, na trompa uterina.
A esse encontro e fusão das duas células dá-se o nome
de fecundação.
Este trabalho visa a apresentação do sistema anatômico,
bem como o dinâmico das funções reprodutivas da fêmea.
Pesquisas na literatura possibilitaram a realização do mesmo.
Embora as funções reprodutivas masculinas sejam imprescindíveis
para a multiplicação da vida no planeta, aqui, será enfocado
apenas as funções reprodutivas femininas.
Aspectos tais como anatomia do sexo feminino, a ação dos hormônios,
atividades ovarianas, o sistema endócrino e as fases da parturição
foram englobados no presente trabalho.
As funções reprodutivas da fêmea são a produção
de óvulos e a provisão de um ambiente adequado para o crescimento
e nutrição do feto que se desenvolve após a fertilização
de um óvulo maduro por um espermatozóide.
Os resultados das condições anteriores são o nascimento,
num momento apropriado, e a continuação da função
nutricional através da lactação.
I- ANATOMIA DO SEXO FEMININO
O sistema reprodutivo da fêmea consiste de dois ovários, dois
ovidutos, útero, vagina e vulva (Fig.1). As glândulas mamárias
são uma parte importante do sistema reprodutivo, porém não
serão descritas neste trabalho.
1.1- Ovários
Os
ovários são glândulas pares que contribuem com o desenvolvimento
dos oócitos e produção de hormônios. Cada ovário
é localizado caudal ao rim direito e esquerdo, respectivamente, e suspenso
à parede dorsal do abdômen por uma reflexão do peritônico,
o mesovário. O mesovário é parte do ligamento largo;
um termo que inclusive também se refere ao suspensor dos ovidutos (mesossalpinge)
e útero (mesométrico). A disposição pendular dos
ovários proporciona facilidade na manipulação por palpação
retal na vaca e na égua. Os ovários são descritos em
diversas espécies como estruturas em forma de amêndoa e como
estruturas semelhantes ao feijão na égua. Na porca o ovário
lembra um cacho de uva devido ao grande número de folículos
na sua superfície. A ovulação ocorre ao longo de toda
superfície do ovário em muitas espécies, mas é
confinada a uma fossa de ovulação na égua; isto favorece
seu formato de feijão.
O ovário possui um córtex externo e uma medula interna. A medula
émais vascular, enquanto a maior parte do córtex consiste de
tecido conjuntivo que forma o estroma. A camada mais externa do córtex
é uma cápsula densa de tecido conjuntivo, conhecida como túnica
albugínea. Devido à densidade do estroma, os ovários
parecem firmes quando palpados. A forma mais precoce do óvulo em vários
estágios de desenvolvimento estão intercalados no córtex.
Durante a vida fetal a superfície externa do ovário está
coberta pelo epitélio germinativo. Enquanto o feto se desenvolve, os
óvulos primordiais diferenciam-se do epitélio germinativo e
migram para o inferior da substância do córtex ovariano. Os óvulos
primordiais continuam a se desenvolver no ovário fetal pelas divisões
mióticas; grande número é produzido durante esse momento.
O desenvolvimento progride até a prófase da primeira divisão
meiótica e então paralisa-se nesse estágio.
Os processos pelos quais o óvulo é formado são conhecidos
como oogênese respectivamente. Enquanto quatro espermatozóides
são formados de um espermatócito, somente um óvulo se
desenvolve da divisão de um oócito primário. Três
corpúsculos polares desenvolvem-se no lugar de óvulos e apresentam
grande redução em seu material citoplasmático. Ocorre
considerável degeneração de muitos óvulos primordiais
no nascimento; aqueles que se mantém são o reservatório
de desenvolvimento de óvulos férteis, que amadurecem a partir
da puberdade. Ao nascimento, cada óvulo primordial coleciona ao seu
redor uma camada de células do epitélio e são conhecidas
como células da granulosa. O oócito, rodeado por uma camada
simples de células da granulosa, é chamado de folículo
primordial. Os folículos primordiais estão localizados, no nascimento,
na periferia da zona cortical, abaixo da túnica albugínea e
próximos à medula vascular. A degeneração dos
folículos primordiais continua até a puberdade e ao longo da
vida produtiva da fêmea. No final da vida reprodutiva da fêmea
somente uns poucos folículos primordiais mantêm-se nos ovários,
e mesmo esses degeneram-se mais tarde.
Os ovários e ovidutos recebem seu suprimento sangüíneo
da artéria ovariana e a vagina recebe seu suprimento sangüíneo
da artéria vaginal. Para o útero, o principal suprimento sangüíneo
chega pela artéria uterina. A porção cranial do útero
é também irrigada pela artéria ovariana e a porção
caudal recebe sangue da artéria vaginal.
Durante a gestação o suprimento sangüíneo para o
útero aumenta dramaticamente. Quando a artéria uterina é
palpada pode-se sentir uma vibração de sangue em seu interior.
Isso é chamado fêmito, e é considerado um bom indicador
de prenhez. A artéria ovariana é espirada e adere intimamente
à veia uterina. Tal arranjo é importante para a difusão
do hormônio prostaglandina da veia uterina para a artéria ovariana
em algumas espécies (por ex. a vaca e ovelha - talvez outras). Seu
transporte através desse arranjo evita a circulação geral,
onde a maior parte da PGF2a seria inativada nos pulmões. A produção
necessária é menor porque a maior parte da PGF2a produzida dirige-se
somente para o órgão alvo (ovário) e evitar a circulação
geral para todas as partes do corpo. A PGF2a nos ovários inicia a luteólise
(degeneração do corpo lúteo).
1.2- Trompas Uterinas
As
trompas uterinas são também chamadas de ovidutos ou trompas
de Falópio. Elas são um par de tubos enovelados que conduzem
os óvulos dos ovários para o respectivo corno do útero.
As trompas uterinas servem como local de fertilização pelo espermatozóide
do óvulo liberado nas espécies domésticas. A porção
da trompa adjacente ao seu respectivo ovário expande-se para formar
o infundíbulo e as fímbrias que se projetam de sua extremidade
livre. As fímbrias auxiliam a direcionar o óvulo para o interior
do infundíbulo no momento da ovulação.
O lúmem dos ovidutos é revestido por células secretórias
e ciliadas. Essas células fornecem ambiente para os óvulos e
transporte para os espermatozóides. No interior das paredes das trompas
uterinas está localizada a musculatura lisa, tanto longitudinal quanto
circular, as quais auxiliam no transporte de óvulos e esperma através
de suas contrações. A cobertura serosa das trompas uterinas
é conhecida como mesossalpinge, que é uma continuação
do mesovário e parte do ligamento largo (que fornece sustentação
para a genitalia interna).
1.3- Útero
O
útero fornece um local para o desenvolvimento do feto, se houver fertilização.
O útero consiste de um corpo, uma cérvix (colo) e dois cornos.
As proporções relativas do corpo, corno e cérvix variam
entre as espécies. O corpo é grande na égua, menor na
vaca e na ovelha e pequeno na porca e cadela.
A membrana mucosa que delimita o interior do útero (endométrio)
é altamente glandular. As glândulas estão distribuídas
ao longo de todo o endométrio, exceto nos ruminantes, onde as carúnculas
são glandulares.
O endométrio varia em espessura e vascularização com
as alterações hormonais nos ovários e com a prenhez.
A secreção glandular do endométrio fornece nutrientes
ao embrião antes da placentação, após o que a
nutrição passa a ser feita pelo sangue materno.
A cérvix projeta-se caudalmente para o interior da vagina. Esse esfíncter
poderoso da musculatura lisa está hermeticamente fechado exceto durante
o estro e parto. O muco presente no estro é a secreção
de células colunares cervicais. A secreção de muco das
células colunares durante a prenhez e seu fluxo para o exterior previne
que material infectivo penetre na vagina.
O miométrio é a porção muscular do útero,
composto de células musculares lisas. O miométrio hipertrofia-se
durante a prenhez, aumentando tanto o número de células como
seu tamanho. A principal função do miométrio é
auxiliar na expulsão do feto no momento do parto.
A serosa que cobre o útero é continua à mosossalpinge;
no útero, é conhecido como mesométrio. O mesométrio
fornece um suporte suspensório, particularmente para o útero
não-gravídico. O útero grávido aumenta de volume
e maior suporte é fornecido pela parede abdominal.
1.4- Vagina
A vagina é porção do canal do parto localizada no interior da pelve, entre o útero (cranialmente) e a vulva (caudalmente). A vagina atua como uma bainha para o pênis do macho durante a cópula. Ela é delimitada inteiramente por epitélio estratificado escamoso, que é glandular. O fórnix é o espaço formado cranialmente à projeção da cérvix para o interior da vagina. Em alguns animais o fórnix só é visível dorsalmente, enquanto em outros ele pode circundar completamente a cérvix ou estar ausente (como nos suínos).
1.6 - Vulva
A vulva é a porção caudal da genitália feminina, que se estende da vagina para o exterior. O orifício uretral externo delimita o ponto de junção entre a vagina e a vulva. O vestíbulo da vagina é normalmente considerado como uma parte da vulva. Ele é a porção tubular da genitália entre a vagina e os lábios da vulva. O clitóris está encoberto pela porção inferior da vulva. O clitôris é composto de tecido erétil e terminações nervosas sensoriais. Aparte externa da vulva é sua abertura vertical, os lábios.
II- AÇÃO DOS HORMÔNIOS DA REPRODUÇÃO FEMININA
2.1- Estrógeno
São
produzidos durante o desenvolvimento folicular por células secretoras
de esteróides localizadas entre os fibroblastos da teca interna; no
decorrer da fase lútea são produzidas pelo corpo amarelo juntamente
com 2 progesteronas. No cavalo, o corpo amarelo contém duas populações
encarregadas da secreção de ambas esteróides.
A secreção estrogênica do ovário é controlada
pelos hormônios hipofisários. O FSM ou o LH, sozinho, não
estimulam a secreção estrogênía em quantidade suficiente
para manter o peso uterino de ratas hipofisectomizadas, mas, em conjunto,
os dois hormônios são eficientes ao longo de amplo espectro de
proporção de concentração.
Os
estrogênios atuam no ovário adulto, acusando hipertrofia dos
folículos granulares de ratas hipotisectomizadas. Atuam no hipotálamo
e na hipófise, inibindo a secreção de LH. São
também importantes para o desenvolvimento do sistema de conadutos no
sexo feminino. No útero, a ação das estrogênias
foi correlacionada à formação de um complexo estrogênico
-cromatina nas nucleas celulares, aumentando a síntese de RNA induzidas
por esses hormônios, que são dependentes de síntese protéica
anterior.
O mecanismo de ação das estrogênias no útero é
possivelmente semelhante a seu mecanismo de ação em outros tecidos
sensíveis tais como a glândula mamaria, o bico e a plumagem de
pássaros.
Os estrógenos existem naturalmente e sinteticamente. Os estrógenos
de importância nos mamíferos são esteróides, produzidos
pelos ovários, placenta, e córtex adrenal. Um estrógeno
sintético comum é o dietilstilbestrol, que não éum
esteróide, mas um complexo álcool com propriedades estrogênicas.
Apesar do local onde são produzidos, os esteróides apresentam
uma seqüência biossintética comum.
Os estrôgenos, 17b-estradíol e estrona, predominam em animais
domésticos não-prenhez e prenhes, respectivamente. Geralmente,
a principal função dos estrógenos é induzir a
proliferação celular e o crescimento dos tecidos relacionados
à reprodução. As respostas teciduais induzidas pelos
estrógenos incluem:
- estimulação do crescimento glandular endometrial;
- estimulação do crescimento de dutos na glândula mamária;
- aumento na atividade secretora dos dutos uterinos;
- indução da receptividade sexual;
- regulação da secreção de hormônio lutenizante (LH) pela glândula pituitária anterior;
- possível regulação da liberação de PGF2a pelo útero não-gravídico e gravídico;
- união precoce da epífise com o corpo dos ossos longos, com o que cessa o crescimento desses ossos;
- anabolismo protéico; e atividade epiteliotrófíca.
O efeito anabólico sobre as proteínas do estrógeno é menos evidente que aquele associado à testosterona. Ele está associado, provavelmente, mais especificamente, aos órgãos sexuais que a um efeito generalizado. A função epiteliotrófica manifesta-se no útero, quando o epitélio da vagina se prolifera e cornifica com maior intensidade.
2.2- Progesterona
O coito, o LH, ou HGG provocam ovulação na coelha dentro de
10 a 12h. O filiculo rompido é então transformado em corpo amarelo.
Logo após a estimulação original, tem inicio a secreção
de 20a-hidroxiprgn -4 - en -3 - ona pelo tecido intersticial, com duração
de aproximadamente 6h; em fêmeas castradas fecundadas, essa substância
mantém a secreção adenohipofisária de LH.
Essa progestína sintetizada e secretada sob influência do LH
exerce um controle retroativo positivo, de modo a prolongar a secreção
de LH. Apesar de a secreção normal de LH durar cerca de 6h,
e de sua vida media na circulação ser de apenas 22 min, a ovulação
não ocorre se o animal é hipofisectomizado uma hora após
a cápsula. Portanto, ou o LH permanece no ovário por tempo prolongado,
ou inicia, nesse tecido, ao fim de algumas horas de exposição,
alterações que persistem mesmo quando o hormônio não
é mais deletado no sangue, o que levam à ovulação.
Quando ingerir-se octinomicida D, puromicina, ou ciclo-heximida em folículos
maduros de coelhas fecundadas, apenas os folículos que receberam as
drogas dentro de 4h após o coito deixam ovular.
A progesterona, como os estrógenos, é um hormônio esteróide
produzido pelo corpo lúteo (CL) do ovário, placenta e córtex
adrenal.
As atividades associadas à progesterona são freqüentemente
realizadas m associação aos estrógenos, e normalmente
requerem a prévia atuação de estrógenos. As funções
da progesterona incluem:
- promoção do crescimento glandular endometrial;
- estimulação da atividade secretória do oviduto e glândulas
endometriais para er nutrientes para o desenvolvimento do embrião antes
da implantação;
- promoção do crescimento lóbulo alveolar na glândula
mamária;
- prevenção na contratilidade do útero durante a prenhez
e;
- regulação da secreção das gonadotrofinas.
O inter-relacionamento entre Js estrógenos, progesteronas e gonadotrofinas será descrito adiante, na discussão sobre o ciclo de estro e prenhez.
2.3- Gonadotrofinas
O
hormônio folículo-estimulante (FSH) e o hormônio luteinizante
(LH) são coletivamente chamados de gonadotrofinas devido a seu papel
de estimular as células no interior dos ovários e testículos
(gônadas). FSH e LH são hormônios secretados pelas células
da pituitária anterior. Ambas são classificadas quimicamente
como glicoproteínas. Uma glicoproteína consiste de cadeias de
aminoácidos unidos por ligações peptídicas e cadeias
de carboidratos ligadas aos polipeptídeos.
A principal função do FSH na fêmea é a promoção
do crescimento dos folículos. O LH é importante para o processo
ovulatôrio e luteinizantes de granulosa, Uma fase essencial da formação
do CL.
Aparentemente as contrações de FSH e LH existentes no plasma
estão a níveis tônicos ou basais. Esses níveis
são controlados por "feedback" negativo das gônadas.
Os níveis tônicos são aumentados pelos estrogenos e diminuídos
pela progesterona.
A liberação de FSH e LH da pituitária anterior é
controlada por um hormônio liberador proveniente do hipotálamo.
O sistema circulatório envolvido é conhecido como sistema porta
hipotalâmico-hipofisário. Um sistema porta inicia-se com capilares
e termina com capilares. Os capilares hipotalâmicos recebem uma secreção
das células sensoriais no hipotálamo, o hormônio liberador
de hormônio luteinizante (LHRH) (algumas vezes chamado de hormônio
liberador de gonadotrofina, GnRH). O LHRH é secretado em resposta a
baixos níveis de LH ou FSH e sua liberação provoca aumento
da secreção de FSH e LH. Aparentemente a liberação
de LH é mais responsiva ao LHRH que a liberação de FSH;
existem algumas dúvidas quanto ao fato do LHRH controlar o FSH.
A concentração de estrógenos e progesterona também
influencia a quantidade de secreção de LH ou FSH. Geralmente,
um aumento na concentração de estrógeno causa um aumento
na sensibilidade da pituitária anterior ao LHRH, e resulta num aumento
na liberação de gonadotrofinas. A progesterona diminui a sensibilidade
da pituitária anterior ao LHRH e a concentração de LH
e FSH diminuem. Essas influências, particularmente aquela do estrógeno,
dependem de um aumento de concentrações graduais de estrógenos
sobre um período de tempo, o que resulta na fonte pré-ovulatória
de liberação de LH. Por outro lado, quando a concentração
de estrógenos é basal e de curta duração, as secreções
de LH e FSH são suprimidas.
2.4- Relaxina
A relaxina foi encontrado no corpo"amarelo, na placenta e no útero. A relaxina é um polipeptídeo de peso molecular 9.000. E mais atuante em animais que estão com alto nível de estrógeno e progesterona circulantes (durante o estro e a gravidez). A relaxina aumenta a distensibilidade dos ligamentos da sínfase pubiana de cobaias e camundongas, e aumenta a dilatação do colo uterino em mulheres grávidas, em trabalho de parto. Age sinergicamente com a progesterona e o estrógeno na manutenção da gestão e sua concentração decai rapidamente vários dias antes do parto.
III - ATIVIDADE OVARIANA E CRESCIMENTO FOLICULAR
Os folículos primordiais presentes na fêmea ao nascimento são
os que estarão presentes ao longo da vida do animal. A maior parte
destes folículos entra em atresia e jamais se desenvolve em óvulo
maduro. O desenvolvimento do oócito, ao nascimento, encontra-se suspenso
no estágio de oócito primário na prófase (primeira
fase) da primeira divisão meiótica.
A puberdade é definida como o inicio da vida reprodutiva, que na fêmea
é normalmente marcada pelo inicio da atividade ovariana. Os eventos
que precedem imediatamente o início da atividade ovariana, entretanto,
são também são incluídos na puberdade. Um estágio
hormônio-independente do crescimento do folículo primordial inicia-se
na puberdade. Isso envolve o crescimento do oócito e um aumento no
número de células granulosas para diversos folículos
primordiais a cada dia, durante toda a vida do animal. Células intersticiais
começam a rodear a membrana basal das células da granulosa para
formar a tece. A tece diferencia-se em interna e externa. A tece externa torna-se
uma cápsula altamente vascular que fornece nutrição à
tece interna, células da granulosa e oócito. Receptores de LH
se formam nas células da tece interna e receptores de FSH e estrógenos
formam-se sobre as células da granulosa. Após a formação
de receptores, os folículos são conhecidos como folículos
primários e atingem o estágio hormônio-dependente. A liberação
de FSH e LH aumenta várias vezes e ocorrem ciclos de eventos ovarinos
que resultam em ovulação para alguns óvulos, e atresia
e destruição para outros.
Durante o estágio hormônio-dependente, sob a influencia de LH,
andrógenos são produzidos pelas células da tece interna.
Os andrógenos difundem-se da tece interna para as células da
granulosa. Sob a influencia do FSH, as células da granulosa convertem
os andrógenos em estrógenos. Os estrógenos produzidos
provocam o crescimento e divisão das células granulosa e, juntamente
com FSH, induzem as células da granulosa a produzir secreções
que provocam a separação das células da granulosa e formação
de um espaço preenchido com fluido, chamado de antro. Da mesma forma,
o FSH estimula a formação de receptores do LH nas células
da granulosa. Uma onda de liberação de LH (onda pré-ovulatória)
ocorre cerca de 24h antes da ovulação. Além de seu papel
na ovulação e formação de um corpo lúteo,
ele causa uma redução no número de receptores de FSH
nas células da granulosa, de forma que a liberação de
estrógenos pelas células da granulosa diminui.
IV - CICLO HORMONAL OVARIANO
Após a regressão do CL, aumenta a secreção de
FSH e LH (devido a uma diminuição na concentração
de progesterona)
O LH estimula a secreção de andrógenos pelas células
da teca, que se difundem para o interior das células da granulosa.
O FSH estimula a conversão de andrógenos em estrogenos pelas
células da granulosa, e
a concentração de estrogenos aumenta gradualmente.
O FSH estimula a formação de receptores de LH nas células
da granulosa.
O fluído rico em estrogenos formado pelas células da granulosa
separa estas células e forma uma vesícula conhecida como antro.
A concentração de estrogenos gradualmente aumentada provoca
uma onda pré-ovulatória de liberação de LH.
A onda de LH promove a maturação de oócitos pelo reinicio
da meiose através do estágio de primeiro corpúsculo polar.
A onda de LH promove a formação intrafolicular de prostaglandinas
A e E (PGA e PGE), associadas à ruptura do folículo.
Concomitante à produção de PGA e PGE há a formação
de corpos multivestibulares (MVB), que se formam como bolsas da teca externa
exposta.
Os MVBs parecem secretar enzimas proteolíticas que digerem a substância
cimentante dos fibroblastos da teca externa, favorecendo ovulação.
A onda de LH causa redução no número de receptores de
FSH sobre as células da granulosa, e assim o ritmo de conversão
de andrógeno para estrógeno diminui.
O LH liga-se aos receptores de LH de células da granulosa e inicia
a conversão da granulosa da fase folícular de secreção
estrogênica para a fase luteínica de secreção de
progesterona.
Em algum ponto dos últimos estágios desses eventos ocorre a
ovulação, e a cavidade previamente ocupada pelo folículo
maduro tornar-se um corpo lúteo.
O corpo lúteo secreta progesterona, que causa uma diminuição
na liberação de FSH e LH pela pituitária anterior.
O corpo lúteo regride e a liberação de progesterona começa
diminuir.
Uma diminuição no nível de progesterona causa um aumento
na secreção de FSH e LH e o ciclo se repete.
V - OVULAÇÂO
Quando o óvulo é liberado de seu folículo para o interior
do abdômen, ele está coberto por aquelas células da granulosa
que o rodeavam momentos antes da ovulação; essas são
conhecidas como coroa radiada. O óvulo e as células da granulosa
são liberados com envoltório viscoso de fluído folícular.
No momento da ovulação, juntamente com seus envoltórios
celular e gelatinoso, é arrastado para o interior da tuba uterina pela
motilidade das fímbrias.
A ovulação é espontânea em todas as espécies
domésticas, exceto o gato. O gato e outros ovuladores não espontâneos
(mink, coelho, furão) são ovuladores reflexos, em que o coito
é necessário para que a ovulação ocorra. O contato
do coito aparentemente leva a uma onda de LH. A seleção de folículos
para ovulação parece ocorrer primariamente pelo acaso. Ele está
normalmente associado aos folículos com atividade de crescimento maior,
presentes quando o corpo lúteo anterior regride (isto é, quando
a progesterona diminui e a liberação de FSH e LH começa
a aumentar). Os folículos continuam a crescer e desenvolver-se durante
todas as fases do ciclo ovariano, com algum retardo durante a fase luteínica,
e uma onda de LH é necessária à ovulação.
Alguns folículos aproximam-se do completo desenvolvimento, mas em receptores
de LH adequados não ovulam em resposta à onda de LH e tornam-se
atrésicos.
VI- CORPO LÚTEO
A formação do corpo lúteo envolve a luteinização
da granulosa, onde a granulosa é convertida de secretora de estrógeno
para secretora de progesterona. O processo é iniciado pela onda pré-ovulatória
de LH. A cavidade do folículo rompido de fibrina em seu interior atua
como base sobre a qual as células da granulosa se desenvolve. Vasos
sangüíneos da teca externa invadem o CL em desenvolvimento, de
forma que ele se torna vascularizado. A manutenção do CL é
assegurada pelo LH derivado da onda de LH e pelos níveis circulantes
de LH. Em ovinos, a prolactina, um hormônio gonadotrófico para
algumas espécies, é necessário para manutenção
do CL, em adição ao LH.
O útero (endométrio) participa de forma marcante no controle
da duração da atividade do CL em éguas, vacas, porcas,
ovelhas e cabras nãoprenhes, mas não é ativo na regressão
do CL em cadelas e gatos. A PGF2a é liberada pelo útero não
gestante cerca de 14 dias após a ovulação e éconsiderada
a substância luteolítica natural (causa regressão do CL).
O retorno venoso do sangue uterino para o coração direito e
de lá para o pulmão antes do transporte do sangue arterial para
o ovário resulta na inativação de cerca de 90% da PGF2a.
Para garantir que PGF2a suficiente atinja diretamente os ovários para
a luteólise, o arranjo anatômico da veia uterina associada à
artéria ovariana é tal que PGF2a pode difundir da veia para
a artéria e a perfusão ovariana de PGF2a pode ocorrer antes
da circulação pulmonar. Para o PGF2a manter-se efetivo quando
na circulação geral, ele deveria, ou ser secretado pelo útero
em grandes quantidades ou ser mais resistente a degradação pulmonar
ou ambos. A manutenção do PGF2a na circulação
geral é mais importante na porca e na égua.
A razão para a regressão tardia do CL na cadela e gata (cadela
75 dias, gata 35 dias) não é conhecida. Não ocorre um
processo lítico agudo.
6.1-
Corpo Lúteo Persistente
O prolongamento da fase luteínica de 14 dias para talvez 1 a 5 meses
e conhecido como corpo lúteo persistente. A presença de um corpo
lúteo persistente bloqueia o retorno à fase folícular
e sua próxima ovulação. A razão imediata para
a persistência do CL é a falha do emdométrio em sintetizar
PGF2a freqüentemente a falha é causada por inflamação
aguda ou crônica do endométrio.
VII - RECEPTIVIDADE SEXUAL
O início da receptividade sexual em todos os animais necessita de estrógenos
derivados dos antros folículares. Além disso, em algumas espécies
(por exemplo, cadela, ovelha, porca e vaca), a progesterona atua sinergicamente
com o estrógeno para a manifestação da receptividade.
Os neurônios associados a um "centro sexual" estão
localizados difusamente no hipotálamo e são críticos
na iniciação do mecanismo de comportamento sexual como resposta
aos hormônios. Parece que a progesterona atua como uma espoleta para
os centros sexuais hipotalâmicos, de forma que o estrógeno passe
a se tornar efetivo. Durante o período de pós-parto (após
a parturição) em algumas vacas e porcas, a baixa concentração
de progesterona falha em sua função disparadora dos centros
sexuais do hipotálamo, e estas não se tomam sexualmente receptivas
no momento da primeira ovulação pós-parto. Em ovinos,
o disparo do hipotálamo pela progesterona é essencial, após
sua estação de anestro, antes que a receptividade sexual se
manifeste. Desta forma, as ovelhas não apresentam receptividade sexual
em conjunção com a primeira ovulação da estação
de monta.
Durante o proestro nas cadelas, quando os níveis de estrógenos
aumentam, a receptividade sexual está ausente mesmo que elas se apresentem
sexualmente atrativas. Somente quando ocorre a onda de LH próxima à
ovulação, surge a receptividade sexual. A progesterona pré
- ovulatória da onda de LH pode ser suficiente para disparar o hipotálamo.
Antes do proestro há um grande período de inatividade sexual,
durante o qual os níveis de progesterona estão ou muito baixos
ou inexistem.
Existem algumas evidências que o LHRH tem um papel na manifestação
da receptividade sexual. A injeção de LHRH sem estrógeno
tem sido usada para causar postura sexual em alguns animais. Além disso,
o aparecimento de receptividade sexual está intimamente relacionado
à onda pré-ovulatória de LH que é induzida pela
liberação de LHRH.
A progesterona não é sinérgica com estrógeno na
manifestação da receptividade sexual na cabra, gata e égua.
VIII - FERTILIZAÇÃO
A fertilização é a união dos gametas masculino
e feminino para formar uma célula única, o zigoto.
O primeiro passo na fertilização é a penetração
da zona pelúcida pelo espermatozóide. Isto envolve não
só as enzimas hialuronidase e acrosina (enzima proteolítica
do acrossomo), mas também a motilidade espermática. A motilidade
cessa uma vez que o contato com o óvulo tenha sido feito. Na vaca,
ovelha e porca, a segunda divisão da maturação (meiose)
ocorre após a fertilização, visto que a primeira meiose
ocorreu antes da ovulação. A zona de reação ocorre
após a penetração da zona pelúcida e protege o
óvulo da penetração adicional de outros espermatozóides.
A penetração por mais de um espermatozóide (polispermia)
é deletério ao desenvolvimento normal do zigoto.
Pró-núcleos desenvolvem-se a partir dos núcleos do espermatozóide
e óvulo. Para cada pró-núcleo há o aparecimento
de um número de nucléolos, os quais coalescem, e o desenvolvimento
de uma membrana nuclear ao redor de sua respectiva periferia. A fertilização
completa-se após o desaparecimento dos pró-núcleos e
sua substituição pelos grupos de cromossomo unidos na prófase
da primeira divisão de clivagem.
Os zigotos normalmente mantêm-se no oviduto por 3 a 4 dias antes de
serem transferidos para o útero. A motilidade uterina é desfavorável
para a sobrevivência do zigotô e a predominância do estrógeno
no estro deve ser substituida pela progesterona, o que ocorre com a formação
do corpo lúteo. A progesterona tem uma influência calmante sobre
o útero, além de promover o desenvolvimento de um endométrio
glandular capaz de secretar "leite uterino", um meio nutriente para
o embrião no período que precede sua implantação.
Uma cavidade se forma no interior da mórula aos 6 ou 8 dias de idade,
sendo essa massa celular chamada de blastocisto.
O período de ovo termina quando o blastocisto liga-se ao endométrio.
Este é o início do período embrionário. O período
embrionário é caracterizado pelo rápido crescimento -
os principais tecidos, órgãos e sistemas desenvolvem-se e as
principais características da forma corpórea externa passam
a ser reconhecidas. O período fetal estende-se deste momento até
o nascimento, que se inicia, na vaca, a cerca de 45 dias de gestação.
As
necessidades nutritivas para o desenvolvimento do blastócito são
satisfeitas pela difusão a partir do vídeo no ovo e pelas secreções
do oviduto e útero ("leite uterino"), até que ele
se fixe no útero. A implantação do embrião.
Isso ocorre de 2 a 5 semanas após a fertilização. O intervalo
é menor para o gato (2 semanas) e mais longo para bovinos e eqüinos
(5 semanas).