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São Paulo,
XVI- PARTURIÇÃO


A parturição, algumas vezes chamada trabalho de parto, é o processo fisiológico pelo qual o útero grávido expulsa o feto e a placenta da mãe.
Durante toda a prenhez o abdomen aumenta de volume e sua máxima expansão é atingida pouco antes do parto. As glândulas mamárias também continuam a aumentar e a poucos dias do parto começam a secretar um material leitoso. Outros sinais incluem o entumecimento da vulva e uma descarga de muco através dela. Os músculos abdominais relaxam, o que faz com que a barriga abaixa e a anca afunde em ambos os lados da base da cauda. Acredita-se que o hormônio, relaxina, associado ao nível crescente de estrógeno da prenhez, cause o relaxamento dos ligamentos para favorecer o alargamento do canal do parto. Cogita-se também, que a PGF 2a auxilie no relaxamento da cérvix. Em associação a esses sinais físicos, certos sinais comportamentais são característicos, tais como: inquietação, deitar e levantar freqüentemente e micção também freqüente. A cadela e a porca, freqüentemente, tentam construir ninhos elaborados.
Acredita-se que o ritmo respiratório seja melhor indicador do que a descida do leite, em porcas que estão próximas de parir. O ritmo respiratório aumenta constantemente e atinge o pico seis horas antes do parto em quase todas as porcas. Em contraste, algumas porcas produzem colostro em períodos de até três a quatro dias da parição.
Alterações na temperatura retal também têm sido estudadas como indicador de parturição sob a hipótese de que certos hormônios influenciam a temperatura corpórea.

16.1 - Estágios

Os três estágios do parto são o seguinte:
a) contrações uterinas (contribuem para a dilatação da cérvix e apresentação do feto);
b) contrações associadas à expulsão do feto (envolve a contração da musculatura abdominal);
c) expulsão da placenta.

Em espécies oníparas (nascimento único), o feto deita sobre o seu dorso durante a gestação. Imediatamente antes do nascimento o feto assume uma posição no útero que é característica para as espécies (apresentação). A apresentação pode ser iniciada pelas contrações iniciais do útero. As patas dianteiras são apontadas em direção à cérvix, a cabeça estendida e posicionada entre as patas, e o dorso do bezerro é direcionada para as vértebras sacras. Esta é conhecida como apresentação anterior. Uma apresentação posterior, com os membros posteriores estendidos para dentro do canal pélvico é considerada normal, mas é menos comum.
Um exemplo de apresentação anormal é aquela em que pode haver uma apresentação anterior, mas com um desvio da cabeça e pescoço. A apresentação anormal normalmente requer correção antes do feto ser expelido com sucesso. Uma dificuldade na expulsão do feto é classificada como distocia.


16.2 - Alterações hormonais

Uma importante alteração hormonal que ocorre imediatamente antes do parto é um aumento na produção de estrógeno. A estrona é produzida pela unidade fetoplacentária à medida que a maturidade do feto aumenta (aproximadamente três a quatro semanas pré-parto na vaca). O aumento na produção de cortisol pelo córtex adrenal fetal, associado à maturidade do feto, inicia-se ao aumento da produção de estrógeno pré-parto. A secreção de estrógeno auxilia na produção de proteínas contráteis da musculatura uterina antes do parto. O estrógeno pode também ser o sinal para a secreção de PGF 2a que ocorre no período imediatamente pré-parto (vinte e quatro a trinta e seis pré-parto na vaca). A PGF 2a inicia a regressão do corpo lúteo (se presente) e subseqüente diminuição dos níveis de progesterona. O aumento nos níveis de estrógeno e diminuição de progesterona convertem o útero de um estado de quiescência para um estado de contratilidade potencial. O aumento nos níveis de estrógeno varia entre os animais domésticos quanto ao momento de ocorrência antes do parto. A dimensão do aumento é maior para a vaca e mais curto para a ovelha.
Alterações nos níveis hormonais maternos não parecem desempenhar um papel preponderante no parto da égua. No momento do parto a égua apresenta níveis relativamente altos de progestógenos e níveis baixos a de estrógeno. Os níveis de PGF 2~ aumentam, entretanto, durante a parturição. A concentração de progesterona não diminui na égua após a secreção de PGF 2a porque não há presença de corpo lúteo após cerca de cento e cinqüenta dias de prenhez.
Acredita-se que a PGF 2a aumente a contratílidade do útero, permitindo maior mobilidade do cálcio sarcoplásmico. Esse aumento precoce da contração pode ser importante no posicionamento do feto para a saída (apresentação) através do canal pélvico. A presença do feto no canal pélvico provoca a liberação do oxitocina pela pituitária posterior. Na presença de um útero estimulado pelo estrõgeno as contrações aumentam na intensidade para auxiliar na expulsão do feto. A PGF 2a também aumenta a sensibilidade do útero à oxitocina o que intensifica as contrações rítmicas da musculatura uterina durante a saída do feto. O útero somente pode auxiliar na expulsão do feto e precisa das contrações coordenadas dos músculos abdominais. A presença das patas no canal pélvico e a conseqüente estimulação da vagina fornecem a contração reflexa dos músculos abdominais, semelhantes à distensão que ocorre quando tenta-se reposicionar um útero prolapsado. A contração dos músculos abdominais e uterinos, associada ao relaxamento dos ligamentos pélvicos, separação da sínfise pélvica e dilatação da cérvix, colaboram para a expulsão do feto.


XVII - INVOLUÇÃO DO ÚTERO

O processo pelo qual o útero retorna a seu tamanho não gravídico após o parto é conhecido como involução. Os pontos de ligação da placenta fetal ao endométrio exposto cicatrizam pela formação de um novo epitélio. Em associação ao novo epitélio o miométrio contraí e as células encurtam.

17.1 -Vaca

Dentro de seis a sete dias pós-parto os dois terços superiores das carúnculas maternas descamam para o interior do útero, tornando-se parte da descarga de líquidos. As células epiteliais das carúnculas devem ser soltas para a placenta ser expelida. Dentro de vinte e um a trinta e cinco dias todo reparo celular já terá ocorrido e a função das glândulas endometriais já estará restabelecida. As carúnculas terão retraído e não poderão ser palpadas. Normalmente, o estro é observado em quarenta e cinco a sessenta dias após o parto. A amamentação do, baixa a ingestão de energia, infecções e lactação abundante retardam o estro.

17.2 - Égua, ovelha, porca

A involução na égua é rápida, mas não completa. Pelo momento do "cio do potro", que ocorre dentro de seis a treze dias pós-parto. O cio do potro é normalmente acompanhado pela, e éguas cobertas nesse momento podem tornar-se prenhes. As taxas de concepção são mais baixas, entretanto, quando a cobertura ocorre durante o cio do potro.
Na ovelha e na porca, cerca de vinte e quatro a vinte e oito dias são necessários para a involução completa. Na porca, um estro não fértil (anovulatório) ocorre três a cinco dias após a parição. O estro combinado com a ovulação é normalmente inibido durante a lactação. As porcas que não amamentam seus leitões durante à primeira semana após a parição têm estro ovulatório em duas semanas. O desmame dos leitões em qualquer momento induz o estro com ovulação em três a cinco dias.
A retomada do estro na ovelha e égua é coerente com o fotoperíodo da atividade estral característica para essas espécies.

17.3 - Cadela

As áreas interplacentárias retornam ao normal com poucas semanas, mas os sítios placentários requerem cerca de doze semanas para involuir e cicatrizar. O estro, normalmente, não ocorre antes dos filhotes serem desmamados.


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