
Editorial
Notícias e novidades
Artigos científicos
Listas de discussão
Cirurgias em vídeo
Oferecem estágio
Procuram estágio
Links interessantes
Serviços veterinários
Deixe a sua mensagem
Ortopedia com Dra. Lucine Janiak
Lançamentos
Cursos e eventos
Instituições
de ensino veterinário
Cirurgias em fotos
Agradecimento
Página inicial
Raças
de Cães
Raças
de gatos
Peixes ornamentais
Serviços veterinários
Fale com o veterinário
Achados e perdidos
Casamentos
Doenças mais comuns
Tire suas dúvidas
Criadores
Listas de discussão
Doações
Adoções
Venda de animais (particulares)
Lista de nomes para animais
Links interessantes
Escolha seu cão
Escolha seu gato
Escolha seu animal de estimação
Assuntos importantes
Editorial
Mostre o seu amigo (fotos)
Conte a história
Instituições de ensino
veterinário
Kennel clubes
Clubes
Associações
Federações
Cliparts
Curiosidades
Página inicial
FERRETS - Características, Manejo, Doenças Mais Comuns e Tratamentos
Dr. Sidney
Piesco de Oliveira
Médico veterinário autônomo. Clínica
Veterinária, Centro Cirúrgico e Fisioterápico "Anjo
da Guarda" www.anjovet.com.br
Presidente do Portal Veterinário Redevet www.redevet.com
CEO - Redevet Solutions
spiesco@redevet.com.br
Os Ferrets são
animais carnívoros pertencentes à família Mustalidae,
sendo parentes próximos do cachorro.
Possuem grande quantidade de glândulas sebáceas espalhadas pelo
corpo todo.
Os machos têm um peso que varia de 1 a 2 kg. As fêmeas são
menores e pesam de 600g a 950 g.
São animais que enxergam bem preto e branco e tonalidades do cinza,
sendo que podem distinguir cores que não são muito próximas.
Assim como o seu parente, o cão, possuem um olfato muito apurado.
Os Ferrets são monoéstricos estacionais (apresentam 1 cio por
ano), são fotoestimulados e o cio persiste na presença do macho.
Dados de Anamnese

· Temperatura
corpórea - 37,8 a 40o.C, - Cabe observar que a temperatura corpórea
dos Ferrets tende a subir muito com o stress, sendo mais relevante a redução
da temperatura abaixo de 37,8 do que sua elevação.
· Freqüência respiratória: 33-36 rpm
· Freqüência cardíaca: entre 200 e 400 bpm
· Expectativa de vida: 7 a 9 anos
· Puberdade após 7 meses
· Gestação : entre 40-44 dias
· Número de filhotes: por volta de 6 a 8 filhotes por ninhada.
Semiologia

Os ferrets são
animais que costumam morder quando provocamos dor, portanto, a sua contenção
é muito importante para o exame.
Devemos segura-lo pela prega do pescoço, assim como fazemos com o gato.
Mas é importante mante-lo sem o apoio das patas traseiras, em posição
vertical. Não devemos estranhar seu comportamento nessa posição,
pois adquirem um certo ar sonolento, facilitando a anamnese.
A aplicação do medicamento deve ser feita segurando os membros
posteriores e esticando o animal a fim de não deixa-lo movimentar-se.
As vias de administração de medicamentos podem ser oral, intra-muscular,
intra-venosa, ou sub-cutânea. Podemos utilizar, também, a via
intraóssea.
Para aplicação de medicamento SC, deve-se utilizar a prega do
pescoço, facilitando a aplicação do medicamento pelo
próprio médico veterinário que o está contendo.
Para aplicação de medicamento IM deve-se ter muito cuidado ou
usar pequenos volumes de medicamentos, pois eles possuem pouca massa muscular.
Para aplicação de medicamento IV, podemos utilizar a veia jugular.
Em machos, por serem maiores pode-se tentar a cefálica.
Para a coleta de sangue:
- Unha do dedo do pé
- Veia cefálica
- Veia safena lateral
- Veia jugular
- Veia cava cranial
- Artéria da cauda ventral
Particularidades Radiográficas

A
silhueta cardíaca é globóide, com o ventrículo
direito proeminente. Os rins são relativamente curtos, cerca de duas
vértebras lombares de comprimento. A esplenomegalia é um achado
radiográfico comum.
Para analisar o RX de um ferret, considera-lo como um gato alongado.
Transfusão Sanguínea
As
indicações para transfusão sanguínea são
as mesmas utilizadas para os cães e gatos. Pode-se realizar, com segurança,
até três transfusões provenientes do mesmo doador.
Nos ferrets, ainda não há identificação dos grupos
sanguíneos.
Vias de transfusão: Sangue fresco através do cateter no interior
da veia jugular, ou na cavidade peritoneal, ou também, através
da via intra óssea no interior do fêmur em sua porção
proximal.
Para proceder à transfusão, administrar antes um corticóide
de ação rápida, como por exemplo o fosfato sódico
de dexametasona (6 a 8 mg/kg).
Vacinação
Os
Ferrets devem ser vacinados anualmente contra cinomose e raiva. A vacina para
cinomose deve ser isolada, não contendo outras vacinas em conjunto.Em
filhotes ela deve ser administrada com 60, 90 e 120 dias de idade. Alguns
laboratórios já produzem essa vacina, inclusive há a
distribuição no Brasil.
A vacina contra raiva é obrigatória e deve ser administrada
a partir de 120 dias de idade.
Ao contrário dos cães, as vacinas de Cinomose e Raiva não
devem ser aplicadas simultaneamente a fim de evitar reações.
Manejo

Geral
Devem
ser criados em gaiolas, evitando assim, acidentes, principalmente com crianças.
As gaiolas devem ser construidas com material impermeável para não
haver absorção e retenção de odores. Uma cama
com toalha ou um pedaço de cobertor deve ser colocada dentro da gaiola
a fim de evitar que o animal durma sobre seus dejetos.
Os banhos devem ser dados com sabonetes neutros, podendo ou não conter
hidratantes. Evite qualquer tipo de produto que reduza a oleosidade da pele
do ferret, pois esta tem um papel importante na sua proteção.
As garras devem ser aparadas, podendo ser utilizado um cortador-de-unhas humano
para tal.
Alimentação
Os ferrets são
animais essencialmente carnívoros, devendo ser evitada alimentação
com excesso de fibras, respeitando as particularidades de seu trato digestivo.
Existem no mercado rações específicas para a espécie,
que contém um alto índice de proteínas, elevada energia
e poucas fibras. Evitar frutas, doces, ou qualquer outro alimento de nossa
rotina alimentar.
Doenças mais comuns

Virais:
Influenza:
é uma zoonose, podendo ser transmitida ao homem, porém, é
mais comum ser transmitida do homem para o ferret.
A influenza é uma doença do trato respiratório alto,
podendo levar o animal à anorexia, com febre alta, corrimento nasal,
espirros, tosse e conjuntivite. Em alguns casos o animal pode ser acometido
por uma otite purulenta.
Essa enfermidade se manifesta de forma mais grave nos animais mais jovens,
podendo levar a uma pneumonia bacteriana secundária.
Tratamento: o animal deve ser internado devido à dificuldade que os
proprietários relatam em administrar medicamentos. A hidratação
é muito importante, utilizando Gatorade* ou Pedialyte* que são
mais palataveis ao ferret. A alimentação também é
muito importante, sendo que, em casos mais graves, recomenda-se a alimentação
parenteral.
Para tosse e espirros constantes deve-se utilizar um anti-histamínico.
Caso não exista uma infecção secundária por bactérias,
não há necessidade da utilização de antibióticos.
Cinomose:
doença que acomete os canídeos. É muito grave para o
ferret, sendo que o óbito ocorre em 100% dos casos.
A sintomatologia é a mesma apresentada em cães, com acometimento
respiratório, gastro-entérico e do sistema nervoso. A hiperqueratose
que aparece em alguns cães acometidos pela cinomose também pode
aparecer nos ferrets.
Raiva: a mortalidade é de 100%, sendo os sintomas os mesmos que acometem os cães. A vacinação é obrigatória.
Doença
Aleutiana: a
doença aleutiana é causada por cepas de um parvovírus
e transmitida através do contato direto ou de fomites contaminados
com fluido corporal infectado.
O período de incubação pode atingir até 200 dias.
Os sinais clínicos são extremamente variáveis e incluem
paresia posterior, paresia anterior com emaciação, fezes escuras,
letargia e incontinência urinária. A anorexia não é
observada. Pode ocorrer, também, uma edemaciação lenta
sem sinais neurológicos.
Não existe tratamento. A eutanásia é recomendada em todos
os animais que apresentam sintomatologia clínica.
Bacterianas:
Enterites, gastrites (helicobacter), pneumonias, cistites e etc. Devem ser tratadas com antibióticos de acordo com o agente etiológico, além da medicação de suporte.
Doenças gerais:
Os ferrets podem
ser acometidos por sarna sarcóptica, otodécica, pulicilose,
dermatites, doenças fúngicas e outras comuns aos cães
e gatos.
Para a pulicilose, podemos utilizar o Frontline.
O prolapso de reto pode aparecer devido a uma alimentação inadequada.
Deve-se manter a porção prolapsada limpa, descobrindo e corrigindo
a causa. Em casos mais severos, a intervenção cirúrgica
é indicada.
A perda de pêlos, sem alopecia, pode ser considerada normal em estações
mais quentes do ano. Porém, os ferrets costumam apresentar queda de
pêlos devido ao stress.
Neoplasias:
As neoplasias costumam acometer os ferrets entre 4 e 7 anos de idade. Os adenomas, insulinomas, linfomas e adenocarcinomas gástricos são os mais comuns.
Insulinomas:
os tumores das células beta pancreáticas chegam a acometer
30% dos ferrets com mais de três anos. Observa-se letargia, depressão,
olhar infinito, paresia posterior. O animal pode chegar ao coma com a progressão
da doença. A hipersalivação e a náusea (fricção
da boca com as patas) também podem aparecer.
Tratamento: por ser uma doença progressiva, exige monitoramento constante.
A cirurgia de remoção é somente paliativa. Deve-se evitar
alimentos com excesso de açúcar e administrar 1/8 a 1/4 de colher
das de chá de levedura de cerveja a cada 12 horas.
Em casos mais avançados, administrar prednisolona (0,25 a 1,0 mg/kg
ao dia, divididos em duas tomadas, elevando até 4,0 mg/kg ao dia.
Para hipoglicemia: utilizar mel na gengiva e oferecer alimentação
rica em proteínas.
Parasitas Internos:
Apesar de serem mais raros, os parasitas internos mais comuns são o Toxocara, o Dipilydium, e a Dirofilária. Sendo o seu tratamento o mesmo que o empregado em cães, podendo tratar com praziquantel, pirantel e febantel o Toxocara e o Dipilidium e utilizar Cardomec* como preventivo para a Dirofilária.
A coccidiose também costuma acometer os ferrets.
Doença Adrenal:
A disfunção
da glândula adrenal se manifesta de forma diferente daquela comumente
vista nos cães e gatos. A Síndrome de Cushing não é
visualizada, não havendo aumento dos hormônios sexuais.
Sintomas: Há uma alopecia simétrica bilateral e progressiva,
iniciando sempre na ponta da cauda, progredindo cranialmente e causando atrofia
dos folículos pilosos. Nas fêmeas há uma aumento vulvar
seguido de um corrimento mucóide. Observa-se prostração,
o abdomen se apresenta pendular, há o surgimento de ginecomastia, atrofia
muscular e prurido intenso. Os machos costumam ficar agressivos.
Diagnóstico: é realizado principalmente através dos sintomas
clínicos.O hemograma demonstra anemia arregenerativa, trombocitopenia.
O teste de estimulação hormonal pode ser realizado, mas ainda
não há padrões bem estabelecidos.
Tratamento: adrenalectomia uni/bilateral. Tratamento medicamentoso: Mitotane
- 50 mg PO, sid/ por 1 semana e depois a cada 3 dias. Acetato de leuprolida
500 mcg/mês.
Anestesia:
A anestesia no ferret deve ser preferencialmente inalatória, com a utilização de máscara. O jejun deve ser de no máximo 4 horas, devido ao seu alto metabolismo. O acesso venoso deve ser mantido e a temperatura deve ser bem controlada, sendo o aquecimento (colchão térmico) primordial.
Drogas
injetáveis:
- Acepromazina - 0,1 - 0,5 mg/kg IM, SC
- Ketamina (25 - 35 mg/kg) + Acepromazina (0,2 - 0,3 mg/kg) IM, SC - Somente
para intervenções menores
- Ketamina (10 - 20 mg/kg) + Diazepan (1,0 - 2,0 mg/kg) IM - Somente para
intervenções menores
- Ketamina (10 - 25 mg/kg) + Xilazina* (1,0 a 2,0 mg/kg) IM - Somente para
intervenções menores
*
Não utilizar xilazina em ferrets que estejam apresentando enfermidades
Drogas Mais Comuns e Doses
· Acepromazina - 0,2 a
0,5 mg/kg
. Acido Acetil Salicilico - 0,5 a 22 mg/kg cada 8 a 24 h
· Cetoconazol - 5-10 mg/kg bid, PO
. Cloranfenicol - 50 mg/kg bid - IV, SC, IM, PO
· Digoxina- 0,01 mg/kg bid, PO
· Furosemida - 2,5 a 4 mg/kg bid, IM, PO
· Griseofulvina - 25 mg/kg sid, PO
· Ivermectina - 0,4 mg/kg, SC ou PO, repetir a dose após 2 a
4 semanas.
· Quetamina - 10 a 20 mg/kg
* Demais drogas: Utilizar as mesmas doses utilizadas para os gatos.
Referências
-
BICHARD - SHERDING -Manual Saunders, Clínica de Pequenos
Animais, 1998, p.1472 - 1502
- ROBERT W. KIRK - Atualização Terapêutica Veterinária
- Pequenos Animais, vol. 2/2, p.972 - 976
Internet:
- FERRET CENTRAL - http://www.ferretcentral.org
- FERRET NET - http://www.ferret.net
- http://www.afip.org/ferrets