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Métodos para avaliação da mineralização óssea de eqüinos em crescimento
Methods for evaluation of bone mineralization in foals
Claudia
Ehlers Kerber - CRMV-SP 4285
Mestranda do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade
de São Paulo
e-mail: montolar@netsite.com.br
Instituto de Ciências
Biomédicas da Universidade de São Paulo
Rua Dep. Bady Bassit, 300
Cep: 05517-050 - São Paulo-SP
Resumo
Algumas das principais doenças em eqüinos estão relacionadas aos membros locomotores, as quais podem advir de traumas ou distúrbios ósseos principalmente durante a fase de crescimento. No Estado de São Paulo, o desenvolvimento de pastagens com cacterísticas tropicais, as alterações sazonais e a tendência à grande concentração de animais em pequenas propriedades resultam, freqüentemente, no aparecimento de distrofias ósseas, muitas vezes subclínicas, que depreciam o valor econômico dos eqüinos e limitam a sua capacidade de trabalho. O diagnóstico precoce dos desequilíbrios minerais assume grande importância na medida em que os distúrbios ósseos podem ser reversíveis se a causa for corrigida rapidamente. O autor faz uma revisão da fisiologia, da patofisiologia do osso, dos métodos de diagnóstico disponíveis e sugere o uso da dosagem da excreção fracional de fósforo como uma técnica de boa sensibilidade, precocidade, baixo custo e aplicabilidade para avaliar o nível de reabsorção do cálcio e do fósforo do tecido ósseo.
Unitermos : Cálcio, Fósforo, Clearance, Osso, Eqüinos
Introdução
As
principais doenças dos cavalos estão ligadas aos membros locomotores
(Monfort 1967, McIlwraith 1996), as quais podem advir de traumas ou de distúrbios
ósseos, observados principalmente durante a fase de crescimento.
No Estado de São Paulo, o desenvolvimento das pastagens de características
tropicais, as alterações sazonais e a tendência à
grande concentração de animais devido ao alto custo da terra
freqüentemente resultam em uma alimentação deficiente em
mine-rais e aparecimento de distrofias ósseas, que depreciam o valor
econômico dos eqüinos e muitas vezes os inutilizam para o traba-lho
(Haddad 1987, Cunha 1991).
O diagnóstico precoce dos desequilíbrios minerais assume grande importância na medida em que os distúrbios ósseos podem ser reversíveis se a causa for corrigida rapidamente. O método de diagnóstico deve ser sensível, precoce e aplicável em larga escala. Um método bastante recomendado pela sua sensibilidade e precocidade é o clearance fracional de fósforo (Joyce 1971 et al., Coffman 1981, Traver 1977, Balarin 1990). Mais recentemente a dosagem de paratormônio pelo método de radioimunoensaio (Allen et al. 1987, Enbergs et al. 1996) e de imunoradiometria de hormônio intacto (Warren 1991) foram validados para uso em eqüinos, mas ainda não há estudos publicados com o seu uso em larga escala. Finalmente, ainda está em fase de avaliação o uso de marcadores ósseos como método de diagnóstico de osteopatias (Harris; Gray 1997 ).
Considerações sobre o cálcio e o fósforo do ponto de vista nutricional em equinos
Os
cavalos são altamente suscetíveis a sofrer com dietas contendo
níveis inadequados de cálcio e/ou fósforo, mais do que
qual-quer outro mineral (Lewis
1982).
Segundo a recomendação do National Research Council (1989) e
de diversos autores, a quantidade de ração concentrada oferecida
aos eqüinos nunca deveria ultrapassar 50% do total da dieta. A outra
metade deve se constituir de volumoso, mais freqüentemente administrado
na forma de pastejo. Os concentrados são ricos em energia e de maneira
geral os grãos são ricos em fósforo e pobres em cálcio.
Segundo Lewis (1982), o excesso de ingestão de concentrado é
a principal causa de aparecimento de lesões ósseas nos cavalos.
As espécies vegetais mais recomendadas pelos agrônomos para formar
pastos para eqüinos no Estado São Paulo são as de crescimento
estolonífero, que se recuperam bem após o pastejo continuo (Corsi
1984) e se adaptam bem ao clima tropical e ao hábito de pastejo rasteiro
dos eqüinos (Haddad 1987).
O Coast Cross é o mais popular, constituindo-se num híbrido
do capim Cynidom sp desenvolvido na Georgia. É resistente ao frio e
permanece verde o ano inteiro, mas é exigente quanto à fertilidade
e responde bem à adubação (Haddad 1987 ). Recentemente
o Tifton tem sido introduzido. Suas propriedades nutritivas e de crescimento
são semelhantes às do Coast Cross.
Para que a pastagem tenha uma maior capacidade de suporte (número de
animais por área), é necessário que se adote um bom manejo,
seja com uma alta produção que suporte um maior número
de animais, ou com uma taxa de lotação ajustada ao seu nível
de produção. Pode-se conseguir uma maior produção
com uma boa adubação, baseada em análise de solo e adotando-se
piquetes menores com rotação, respeitando-se o ciclo de crescimento
da planta. Às pastagens que não são submetidas à
adubação sob uso constante, além de não suportarem
um grande número de animais, produzem plantas de pouco valor nutritivo,
obrigando ao consumo de concentrados ou feno como forma de complementar a
dieta e manter o desenvolvimento dos animais.
Ainda que se adotemos cuidados necessários para uma máxima produção,
as pastagens tropicais apresentam cerca de 80% da produção total
no período denominado "verão agrostológico"
(setembro a abril) e somente 20% no inverno. O seu valor nutritivo também
diminui no inverno. Os fatores limitantes do crescimento são a temperatura
e o fotoperiodo, além da diminuição pluviométrica.
Assim, enquanto uma pastagem de 1 hectare bem manejada no verão suporta
facilmente 5 cavalos, no inverno pode não ser suficiente nem mesmo
para dois deles (Lewis,1982).
As rações comercialmente disponíveis para cavalos têm
o milho como principal fonte de energia e a base da alimentação
dos eqüinos no nosso meio é com gramíneas. Nem os grãos,
nem as gramíneas contém suficiente quantidade de cálcio
para suprir as necessidades de um cavalo em crescimento (Cunha 1991), especialmente
se forem de má qualidade ou estiverem muito maduros. Desta forma, as
necessidades diárias dos cavalos com relação ao fósforo
são satisfeitas ou estão em excesso, enquanto que as de cálcio
estão bem aquém do necessário, devendo ser corrigidas
através de suplementação mineral e/ou fornecendo forragem
à base de leguminosas. As leguminosas (alfafa, trevo) possuem 3 a 6
vezes mais cálcio do que as gramíneas e a mesma quantidade de
fósforo, mas em regiões tropicais o consorciamento de gramíneas/leguminosas
não é recomendado (Haddad 1987), de forma que os criadores são
obrigados a administrar feno de leguminosas (alfafa) se pretendem utilizar
este alimento.
De uma forma geral o balanceamento das rações para eqüinos
é feito com base na idade/peso e tipo de trabalho que eles desenvolvem
não levando em conta estas variações sazonais ou a qualidade
da forragem oferecida, embora isto seja da maior importância, já
que respeitando-se a proporção de fornecer 50% da ração
em concentrado, um cavalo em crescimento ingere aproximadamente 2 a 2,5% do
seu peso vivo em forragens por dia (National Research Council).
O esqueleto eqüino, fisiologia do crescimento e patofisiologia
Desenvolvimento normal dos ossos longos
Os
ossos longos se desenvolvem a partir da cartilagem por um processo de ossificação
endocondral. No feto, a matriz dos ossos é composta somente de cartilagem.
Os centros de ossificação se desenvolvem no centro dos futuros
ossos longos (diáfise) e também nas extremidades (epifise).
Com o início da ossificação, uma epífise óssea
se desenvolve a cada extremidade e uma diáfise óssea se desenvolve
no centro.
Entre estes dois centros de ossificação está a placa
de crescimento metafisário (também chamada fise), que permite
o alongamento do osso que acompanha o crescimento após o nascimento.
No momento oportuno, ocorre a ossificação da fise. O fechamento
da fise de cada osso se dá em momentos diferentes; como regra geral
pode-se dizer que os ossos distais fecham antes dos ossos proximais.

Fonte: World Equine Veterinary Review