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Ovário salpingo histerectomia em cadelas e gatas - proposta de novos procedimentos
· Ovarysalpingohisterectomy in bitches and queens: a new procedure is proposed
* Roney Migliari 1 CRMV-SP 5849 (in memorian)
* Rafael Struffaldi De Vuono 2 - CRMV-SP 10497
1 Médico Veterinário
- "Mr. Cao Pet Complex"
2 Professor Auxiliar - Disciplina de Técnica Cirúrgica e Anestesiologia
da UNIBAN - Mestrando do Departamento de Cirurgia da FMVZ - USP
RESUMO
A ovário salpingo histerectomia é a cirurgia eletiva mais procurada nas clínicas e hospitais veterinários de pequenos animais. A técnica aqui exposta permite a redução do tempo cirúrgico, da quantidade de instrumentos cirúrgicos utilizados e do tempo de recuperação dos pacientes, levando a significativa redução no custo da cirurgia, sendo perfeitamente possível a um cirurgião operar mais de cinco animais por hora. Tendo empregado esta técnica nos últimos dois anos, submetendo mais de 3.000 animais a tal procedimento, constatamos resultados melhores dos que os obtidos quando utilizávamos as técnicas tradicionais.
Palavras-chave: cães, gatos, ovário salpingo histerectomia.
Introdução
O
aumento da população animal e a adequada conscientização
da população sobre a necessidade do correto controle de nata-lidade
em animais domésticos vem tornando a ovário salpingo histerectomia
a cirurgia mais realizada em nossas clínicas. Em outros países
já existem centros cirúrgicos, onde são realizadas exclusivamente
cirurgias de esterilização, tanto de machos como de fêmeas,
mediante programa especial. Cabe lembrar que esta cirurgia, além de
ser o tratamento usual para muitas das afecções ovarianas e
uterinas, também é indicada para a prevenção de
recidiva de hiperplasia de vagina, bem como para animais diabéticos
ou epilépticos, para que sejam evitadas as alterações
hormonais capazes de interferir na terapêutica (SLATTER, 1998).
Apesar de ser procedimento cirúrgico aplicável em qualquer idade,
se esta cirurgia for realizada antes do primeiro ciclo ovariano, a incidência
de neoplasias de glândulas mamárias diminui para menos que 0,5
%. Já, logo após o primeiro cio, o risco aumenta para 8%; depois
de dois ciclos, sobe para 26%, e depois dos dois anos e meio de idade não
se tem mais este efeito (SCHNEIDER, et al., 1969). Gatas intactas apresentam
risco sete vezes maior de neoplasia mamária, em comparação
com fêmeas ovariectomizadas (DORM, et aL, 1969). Em contrapartida, se
realizada de forma muito precoce, antes do término da vacinação,
estaremos expondo os animais ao risco de contrair doenças infecciosas,
em razão do baixos níveis de imunidade que poderão portar.
Materiais e
Métodos
Considerações iniciais
Em
dezembro de 1997, introduzimos a técnica ora proposta em nossa clínica,
com o objetivo de dispensar a figura do auxiliar de cirurgião, baixar
o tempo total de cirurgia e diminuir os gastos com anestésicos. Dessa
forma, otimizando-se a utilização da sala de cirurgia, eliminando-se
os retornos pós-operatórios e reduzindo-se a quantidade de material
e instrumentos utilizados, com consequente redução no custo
da cirurgia.
Após termos submetido à cirurgia um número superior a
3.000 fêmeas com constantes aperfeiçoamentos, a experiência
mostrou-nos que a técnica abaixo descrita exige anestesia geral, com
elevado grau de miorelaxamento; posicionamento do animal em decúbito
supino em uma calha, sem a necessidade de conter-se os membros com amarras
(principalmente os pélvicos), diminuindo, com isso, a tensão
sobre a musculatura do abdome e reduzindo a tração necessária
para expor o ovário. Ainda, é necessário que se mantenha
a mesa com uma inclinação, de tal forma que a pélvis
fique mais elevada e o conteúdo abdominal gravite em direção
cranial, facilitando bastante o acesso (posição "Trendelemburg").
Embora essa posição desloque as vísceras abdominais em
direção cranial, não observamos qualquer comprometimento
respiratório decorrente de compressão sobre o músculo
diafragma. Não menos importante, temos ainda que efetuar o esvaziamento
da vesícula urinaria, a fim de facilitar a localização
dos cornos uterinos.
Instrumental cirúrgico

Anatomia topográfica cirúrgica
Os ovários, as tubas, os cornos e o útero são presos às paredes dorsolaterais da cavidade abdominal e à parede lateral da cavida-de pélvica, por meio de pregas duplas pareadas do peritônio, chamadas de mesos, que se dividem em três regiões: o mesovário, a mesossalpinge e o mesométrio (ligamentos largos, direito e esquerdo); cranialmente unem-se ao ligamento suspensor do ovário. O ligamento suspensor do ovário corre da face ventral do ovário e da mesossalpinge, cranial e dorsalmente para os terços médios e ventrais das duas últimas costelas (FARTON e WITHOROWS, 1981). O ligamento próprio, que é a continuação caudal do ligamento suspensor do ovário, prende-se à extremidade cranial do corno uterino. O ligamento redondo do útero prende-se à extremidade cranial do corno uterino e é a continuação caudal do ligamento próprio. O ligamento redondo estende-se caudal e ventralmente ao ligamento largo e, na maioria das cadelas, passa através do canal inguinal e termina subcutaneamente próximo à vulva (EVANS e CHRISTENSEN, 1981).

Fig.1- Realização
da incisão de pele, no ponto equidistante entre a cicatriz umbilical
e o púbis (em gatas a incisão é feita caudalmente a esse
ponto)

Fig. 2 - Realização
da incisão da parede abdominal com lâmina de bisturi voltada
para cima