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São Paulo,

Tabela 1. SINAIS CLÍNICOS ASSOCIADOS COM A OSTEOARTRITE

* Claudicação assimétrico
* Claudicação simétrica
* Capacidade de se "aquecer" eliminando a claudicação
* Rigidez depois de exercício ou repouso
* Relutância em pular
* Relutância em subir ou descer escadas
* Incapacidade de realizar atividades físicas
* Preferência em manter-se deitado em vez de sentado ou em pé
* Impossibilidade de descansar de forma confortável
* Mudanças de atitude ou na interação com pessoas ou animais
* Anorexia
* Insônia

Os sulcos evoluem gradativamente até que fendas profundas estejam presentes, resultando em perda de matriz da cartilagem e exposição de osso subcondral. O osso subcondral toma-se mais espesso, permitindo menor deformação diante das forças que são transmitidas sobre a articulação (Figura l).19 Com isso, forças maiores são exercidas sobre a cartilagem presente, que já está anormal, resultando em danos ainda maiores sobre os condrócitos e a matriz da cartilagem. Este ciclo de lesão e resposta que se autoperpetua, prossegue em velocidade variável com a progressão da doença. Ainda que estas alterações possam se iniciar como uma lesão focal, elas podem progredir de forma a afetar toda a articulação. Os danos eventualmente progridem até o ponto em que a matriz da cartilagem está totalmente perdida, permitindo que o osso subcondral exposto atue como superfície articular. Como o osso subcondral não possui as propriedades da cartilagem articular e não tem esta finalidade, o resultado é uma má função articular e a dor. Se a matriz da cartilagem sofrer danos físicos, a alteração é irreversível.


Os osteófitos começam a se formar em associação com estas alterações na matriz e no osso subcondral. Um osteófito é uma proliferação óssea na junção da sinóvia, do pericôndrio e do periósteo. Apesar de geralmente serem encontrados em articulações osteoartriticas, o papel desempenhado pelos osteófitos no processo da doença não está claro, ainda que possam contribuir para a estabilidade articular.28 Acredita-se que os osteófitos possam contribuir para a dor articular por atuar negativamente sobre a sinóvia e por interferir com os tecidos moles periarticulares. A produção de osteófitos e a remodelagem óssea são frequentemente os sinais radiográficos mais óbvios da osteoartrite.


Felizmente, a cartilagem não é o único tecido responsável pela transmissão de cargas sobre as articulações. Uma grande parte da força é transferida para as articulações por ligamentos, tendões, cápsula articular e músculo.29 Observa-se que a massa muscular regional é menor nos pacientes com osteoartrite, ainda que não esteja claro se a diminuição da massa muscular contribui para a osteoartrite ou se resulta da falta de uso do membro afetado.30-32 Muitas vezes existe um equilíbrio delicado, em que a manutenção da massa muscular pode ajudar a estabilizar e diminuir os esforços exercidos sobre as articulações e também diminuir a dor associada à osteoartrite. Infelizmente, a manutenção da massa muscular em geral só pode ser conseguida através da atividade muscular, o que significa cargas maiores sobre as articulações.


Dor e articulações com osteoartrite

A dor está frequentemente associada com as alterações degenerativas que ocorrem na articulação com osteoartrite. As pessoas relatam que a dor é o sintoma predominante da osteoarrrite, e a dor é mencionada com maior frequência do que as limitações de movimento ou de força. A dor osteoartrítica tem muitas causas, as quais geralmente compreendem aquelas provocadas por estimulação mecânica ou química. Os mediadores químicos associados com a dor incluem prostaglandinas, íons potássio e hidrogênio, leucotrienos, bradicinina, citocinas, histamina, serotonina e substáncia F além de outras.33 Algumas são substâncias algésicas (isto é, substâncias químicas que causam a sensação de dor diretamente), como a bradicinina, os ions hidrogênio, a serotonina e a substância P Outras, como as prostaglandinas, as citocinas e os leucotrienos, parecem aumentar a sensibilidade dos nociceptores (receptores de dor) presentes nos tecidos que cercam a articulação. 33 Ainda que não estejam presentes na cartilagem articular, há uma abundância de nociceptores nos tecidos periarticulares como cápsula articular, ligamentos, tendões, músculos e osso subcondral. Como as prostaglandinas e outros mediadores aumentam a sensibilidade destes nociceptores aos estímulos mecânicos e químicos, pode ocorrer uma resposta dolorosa quando a articulação experimenta estímulos mecânicos normalmente inócuos, como distensão, movimento e pressão. Os estímulos mecânicos podem resultar da distensão da cápsula articular, dos tendões e dos ligamentos devido a uma alteração no caminhar, espasmos musculares secundários ao esforço e fraqueza, ou pressão exercida sobre o osso subcondral devido à perda de cartilagem e à biomecânica alterada. As prostaglandinas são produtos da cascata do ácido araquidônico e são consideradas importantes mediadores inflamatórios em qualquer local em que os tecidos sofram danos. Sua produção é resultado dos danos sofridos pela membrana celular. A ciclooxigenase é uma enzima importante na produção de prostaglandinas. No início da década de 90, descobriu-se que as prostaglandinas são produzidas através da atividade de duas enzimas ciclooxigenase separadas:

ciclooxigenase 1 (COX-1) ou ciclooxigenase 2 (cOX-2). Acredita-se que a ciclooxigenase 1 esteja associada a funções homeostáticas normais, como manutenção da saúde gastrointestinal e função renal normal. A ciclooxigenase 2, por outro lado, parece estar associada à inflamação e é responsável pela produção de prostaglandinas em áreas de inflamação, como nas articulações com osteoartrite.


A importância da inibição das prostaglandinas para o controle da dor já é conhecida desde 1971, quando Vane propôs, pela primeira vez, que os antiinflamatórios não-esteróides (AINEs) atuam através da inibição da prostaglandina periférica.34 Os medicamentos antiinflamatórios não-esteróides são amplamente reconhecidos por seu valor no alívio da dor associada com a osteoartrite, tanto no ser humano como nos animais.35~39 É reconhecido desde então que esta classe de medicamentos atua não apenas através da inibição da síntese de prostaglandinas nos tecidos periféricos mas também através de mecanismos centrais. Isto é demonstrado pelas evidências sugerindo que a administração intratecal de baixas doses de AINEs proporciona analgesia.40'41 A administração de um AINE, entretanto, não alivia por completo a dor associada com a osteoartrite e também não altera o curso da condição patológica, sugerindo que, além da atividade central e periférica da ciclooxigenase e das prostaglandinas, haja outros fatores envolvidos no progresso da alteração degenerativa, na produção dos mediadores inflamatórios e na dor associada com a doença. Apesar deste conhecimento, a eficácia dos AINEs para o alivio temporário dos sinais da osteoartrite é bem conhecida e resulta no fato dos AINEs serem os medicamentos mais amplamente utilizados no tratamento da osteoartrite.


Expectativas do tratamento

Estima-se que até 20% dos animais de estimação trazidos ao veterinário estejam acometidos por osteoartrite de graus variáveis.(a) Há um amplo espectro de variação entre estes pacientes, que podem variar desde aqueles que apresentam um desconforto brando, intermitente, até aqueles que apresentam dor constante e claudicação. Por isso, é preciso estabelecer o que é razoável se esperar como resultado do tratamento.

Os sinais clínicos associados com a osteoartrite são variáveis, mas os mais frequentemente observados pelos proprietários incluem claudicação assimétrica e rigidez, diminuição da capacidade ou até incapacidade de realizar as atividades físicas, além de mudanças nos padrões de comportamento normais (Tabela 1)42.A claudicação assimétrica, caracterizada por menor capacidade de sustentar peso em um dos membros e uma marcha obviamente alterada, é mais frequentemente observada pelos proprietários do que a claudicação simétrica, igual nos dois membros. Um exemplo de claudicação simétrica é a que ocorre na dispiasia coxofemoral, que é frequentemente uma condição bilateral caracterizada por um encurtamento do passo e um movimento oscilante da articulação coxofemoral, de um lado para outro, exagerado.43 A rigidez é reconhecida com frequência durante ou depois da atividade física e, com maior frequencia, depois de períodos de repouso precedidos por atividade física.


 

 

 

 

 

 

 

 

Com a progressão da doença, a rigidez pode ser observada depois de períodos de repouso não precedidos por atividade física. Muitas vezes, os proprietários reconhecem a relutância do cão em realizar certas atividades físicas, como subir ou descer escadas, subir em uma plataforma elevada com um pulo (para entrar em um carro ou urna picape) ou realizar atividades de caça ou de pastor. As alterações na atividade normal ou padrões de comportamento frequentemente observadas incluem a preferência do animal em permanecer deitado em vez de ficar em pé ou sentado, a relutância em interagir com outros animais ou com o proprietário, a anorexia, a insônia, a impossibilidade de descansar confortavelmente e a mudança na atitude geral. Outros sinais clínicos típicos da osteoartrite incluem a capacidade de atividade vigorosa por períodos curtos, geralmente associados com agitação. Um animal com uma patologia articular de moderada a grave pode ter uma claudicação mínima quando examinado na clínica veterinária, mas os proprietários relatam a existência de claudicação no seu ambiente normal. Sua capacidade de funcionar com sinais clínicos mínimos diminui à medida que as alterações provocadas pela osteoartrite se tornam mais graves.

 

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