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São Paulo,

Plastia em duplo "M" ou "V"
para mastectomia

Double "M" or "V"
plasty for mastectomy

 


* Maria Cristina de Oliveira Cardoso Coelho
1 - CRMV-PE n. 1381
Luís Teles Coutinho
2 - CRMV-PE n. 2553
Marília Lorenzoni Aceto
2 - CRMV-PE n. 2534
Vanda Lúcia Monteiro
3
Paula Fernanda Barbosa de Araújo
3
Karina Medeiros Britto
3

1 Professora Adjunta da Disciplina de Clínica Cirúrgica - UFRPE
2 Médico (a) Veterinário (a) autônomo (a).
3 Acadêmicas de Medicina Veterinária - UFRPE

RESUMO

A distribuição dos cinco pares de glândulas mamárias dos cães é mediana e as mesmas são paralelas, no sentido da região axilar à parainguinal. A neoplasia mamária é a patologia mais comum destas glândulas e é referida como a principal causa de indicação para mastectomia. A plastia em duplo "M" ou "V" é descrita como alternativa para a obtenção de resultados cicatriciais e estéticos melhores.

Palavras-chave: plastia, neoplasia, mastectomia.

INTRODUÇÃO

Segundo O' KEEFE (1997), tumor é um grande agregado de células descendentes de uma única célula ou clone "fundador", originalmente uma célula de funcionamento normal que, de algum modo, sofreu alteração, pela qual começou a se dividir e proliferar automaticamente, gerando bilhões de outras células similarmente alteradas e constituintes da massa tumoral.
As glândulas mamárias estão distribuídas, nos cães, em duas fileiras paramedianas paralelas desde a região axilar até à inguinal (ELLENPORT, 1986) podendo ser classificadas por nomes (torácicas, cranial e caudal; abdominais, cranial e caudal, e inguinais) ou por números (um a cinco, craniais e caudais) (McCAW, 1996).

O fornecimento sanguíneo das glândulas mamárias torácicas craniais e caudais é realizado pelos ramos da artéria torácica interna, das artérias intercostais e pela artéria torácica lateral. As glândulas abdominais craniais são supridas pelas artérias epigástricas superficiais craniais. Já as glândulas abdominais caudais e as glândulas inguinais são irrigadas pela artéria epigástrica superficial caudal e por ramos da artéria pudenda externa
(ELLENPORT 1986; HARVEY, 1996).
A neoplasia é a doença mais comum das glândulas mamarias e a principal causa de indicação para mastectomia nas cadelas e nas gatas (Figura 1). Essa enfermidade afeta animais de meia-idade e animais idosos, com maior incidência entre dez a onze anos
(McCAW, 1996; O'KEEFE, 1997; JOHNSTON, 1998).

 

 

 

 

 

 

 

Figura 1: Aspecto geral de neoplasia mamária em cadela

A maioria dos tumores mamários nos cães é classificada como maligno, e também quase a totalidade dos tumores mamários fe-linos (86%) são malignos. O prognóstico para ambas, cadelas e gatas, com tumores malignos, é de reservado a mau (HARVEY, 1996; JOHNSTON, 1998).
Esses tumores são muito raros em machos, representando cerca de 1% de todas as neoplasias mamárias descritas. Assim como nos seres humanos, a maioria dos tumores em cães machos são neoplasias agressivas
(LOAR, 1992).
O desenvolvimento da neoplasia na cadela depende, em grande parte, de hormônios. O risco de ocorrência de tumor mamário é de aproximadamente 0,5% para as cadelas castradas antes de seu primeiro estro, 8% para as cadelas castradas após o primeiro ciclo estral, e 26%' para as castradas após dois ou mais ciclos estrais (WITHROW e O'BRIEN, 1997).
O'KEEFE (1997) estabelece que a avaliação diagnóstica de cães com tumores de mama deve constar de exame físico Radiografias torácicas devem também ser avaliadas em busca de metástases pulmonares antes da exérese cirúrgica.

Técnicas cirúrgicas indicadas

O método primário para tratar os tumores de mama em cadelas e gatas é a mastectomia; porém, as taxas de cura ainda são baixas para pacientes com mamopatia maligna, pois é o comportamento do tumor, e não a extensão do tratamento, o que deter-mina o destino final do paciente (HARVEY 1996).
A quantidade de tecido mamário a ser removida durante a mastecComia em unia cadela ou em uma gata é influenciada por vários fatores, incluindo o tamanho, a consistência e a localização do tumor, e o porte, a idade e o estado fisiológico do paciente (HARVEY,
1996).
O'KEEFE (1997), McCAW (1996) e JOHNSTON (1998) citam e
definem vários tipos de mastectomia:
* lumpectomia (nodulectomia) - remoção do tumor sem qualquer tecido mamário circundante. Utilizase a lumpectomia quando o tumor é pequeno, encapsulado e não invasivo;
* mastectomia parcial remoção do tumor e de uma margem circundante de tecido mamário. É indicado para tumores pequenos ou moderados em tamanho (2 cm de diâmetro) e que ocupam somente uma porção de uma glândula mamária individual;
* mastectomia simples - remoção de toda a glândula mamária que contém o tumor;
* mastectomia regional (mastectomia radical modificada) remoção de grupo(s) de glândulas mamárias, dependendo de qual(is) contenha(m) tumor(es);
* mastectomia unilateral completa (mastectomia radical) - remoção de todas as glândulas mamárias, tecidos interpostos e linfonodos regionais do mesmo antimero;
* mastectomia bilateral completa e simultânea (mastectomia radical bilateral) - remoção de ambas as cadeias mamárias inteiras, dos tecidos interpostos e dos linfonodos regionais.
Segundo WITHROW e O'BRIEN (1997), nas gatas, a mastectomia unilateral completa é o procedimento de eleição para todos os tumores mamários, pois a maioria desses tumores nos felinos é maligna.
A cirurgia permanece sendo a mais importante terapia para a maioria dos tumores mamários sólidos (LOAR, 1992).


 

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