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São Paulo,

O autor cita, ainda, a quimioterapia e a radioterapia como condutas terapêuticas, mas reforça que o procedimento cirúrgico é o tratamento de escolha para os tumores mamários sem característica de afecção metastática ou de carcinoma metastático.
O padrão de excisão cirúrgica é baseado na drenagem linfática e deve ser aceito o seguinte princípio: sempre que houver neoplasia, a glândula afetada deve ser removida com todas as glândulas existentes entre ela e o nódulo linfático receptor (HICKMAN e WALKER 1983).
A técnica básica para a mastectomia segue a remoção de um segmento cutâneo, que engloba a(s) glândula(s) mamária(s) afetada(s), através de uma incisão elíptica ao redor da(s) glândula(s) a ser(em) removida(s) (BERGE,1978; HICKMAN e WALKLR, 1983; McCAW, 1996).
O tipo histológico da neoplasia é o fator que influencia o prognóstico, assim como o diâmetro do tumor, o grau de invasibilidade, a diferenciação celular, o envolvimento dos linfonodos e a reatividade linfóide. Já a idade do paciente, o número de tumores presente, a localização do tumor, o tipo de cirurgia e ovário-histerectomia simultânea à mastectomia são fatores que aparentemente não alteram o prognóstico (O' KEEFE, 1997).
Dependendo da experiência, da habilidade do cirurgião e, muitas vezes, da localização e extensão da neoplasia, a incisão praticada em forma de elipse, circundando a neoplasia, deixa defeitos cutâneos ("orelhas", dobras ou rugas cutâneas) nas extremidades da incisão, ocasionando uma oclusão menos estética (SWAIM, 1998).
Segundo SWAIM (1998), a plastia em duplo "M" que pode ser considerada também como duplo "V", reduz o comprimento da excisão e a quantidade de tecido removido comparada à excisão fusiforme, permitindo, ainda, uma oclusão mais estética.
HENDERSON (1980) usou a plástica em "V" para reparar o defeito da pele deixado pela mastectomia bilateral de glândulas torácicas; tal defeito, após suturado, assume a forma de "Y". O mesmo autor afirma que tal técnica diminui a tensão da sutura e permite uma oclusão esteticamente melhor
A plastia que emprega a técnica de duplo "M" ou "V" na mastectomia em cadelas, por ser considerada simples, pode ser utilizada como opção de tratamento cirúrgico.
Na avaliação desta técnica operatória observa-se que a incisão da pele é bastante prática pela facilidade de sua execução, haja vista que a região incisada é topograficamente plana. O tempo utilizado para realizar a incisão é superior ao de urna incisão elíptica, já que a incisão por completo consta de quatro pequenas incisões a mais.
A quantidade de tecido excisado é menor, uma vez que o tecido em forma de "V" é preservado pela técnica (JOHNSTON, 1998). Como preservar o tecido implica menor formação de espaço morto, consequentemente, diminui-se a formação de edemas e seromas, promovendo uma melhor cicatrização (HENDERSON, 1980).
A estética na oclusão da ferida pode ser considerada boa, haja vista a ausência de formação de defeitos cutâneos nas extremidades, conforme menciona HENDERSON (1980).
Conforme citam SWAIM (1998), HARVEY (1996) e HENDERSON (1980), quanto menor a tensão, melhor a cicatrização e esta técnica, que mantém o tecido em forma de "V", divide a tensão entre as bordas (principalmente a das extremidades), diminuindo-a no momento da dermorrafia, promovendo, consequentemente, melhor cicatrização.
Na oclusão da ferida operatória, observa-se a eliminação de defeitos de oclusão ("orelhas", dobras ou rugas cutúneas), principalmente nas extremidades, conforme relatou SWAIM (1998), podendo, desta forma, esta técnica ser praticada por cirurgiões menos experientes, sendo, consequentemente, uma vantagem na sua indicação.

Conclusão

A técnica de plastia em duplo "M" ou "V" é viável e pode ser empregada como alternativa na exérese de neoplasia mamária.

Summary

The five mammary gland pairs of dogs are parallel and have a median distribution from the axillary to tile inguinal region. Mammary neoplasia is the most common pathology of these glands and is the main cause for radical mastectomy. Double "M" or "V" plasty is described as an alternative technique to improve esthetics and the healing process.


Key words: plasty, mastectomy, neoplasia.


Referências Bibliográficas

1 - BERGE, E., Técnica operatoria veterinária, 6. ed., Barcelona: Labor, 1978. Cap. 6, p. 375-7: Extirpación de tumores mamarios en la pera y la gata.

2 - ELLENPORT, C. R. Aparelho urogenital do carnívoro, ln: SISSON, S.; GROSSMAN, J. D.; GETTY, R. Anatomia dos animais domésticos. 5. ed. Rio de Janeiro: Interamericana, 1986.,cap.53,p. 1489-93.

2 - HARVEY, J. Glândulas mamárias. In: BOJRAR, M. J., Técnicas atuais em cirurgia de pequenos animais, 3. ed. São Paulo: Roca, 1996. cap. 35. p. 425-9.

3 - HENDERSON, R. A. Mammary tumors. In: SWAIM, S. F Surgery of traumatized skin. Philadelphia: Lea & Febiger 1980. Cap. 2, p. 40-67.

4 - HICKMAN, J.; WALKER, R. G., Atlas de cirurgia veterinária. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. 1983. Cap. 5, p. 96-7:Glândulas mamárias e teto.

5 - JOHNSTON, D. S. Sistemas reprodutivos. ln: SLATER, D. Manual de cirurgia de pequenos animais. 2. ed. São Paulo: Manole, 1998. v. 2 Cap.159, p. 2567-80.

6 - LOAR, A. S. Tumores do sistema genital e glândulas mamárias In: ETTINGER, S. J., Tratado de medicina interna veterinária: moléstia do cão e do gato, 3. ed. São Paulo:
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8 - McCAW,D.L, Moléstia da glândula mamária. In: BOJRAB, M. J., Mecanismo da moléstia na cirurgia dos pequenos animais, 2. ed, São Paulo; Manole, 1996, cap. 29, p. 216-9.

9 - O'KEEFE,D.A.Tumores do sistema genital masculino e feminino. ln: ETTINGER, S. J.; FELDEMAN, E. C., Tratado de medicina interna veterinária: moléstia do cão e do gato, 4. ed. São Paulo: Manole: 1997. v.2. cap. 131, p. 2344-50.

10 - SWAIM. S. F. Princípios da cirurgia plástica e reconstrutiva. ln: SLATER. D. Manual de cirurgia de pequenos animais. 2. ed, São Paulo: Manole, 1998. v. 1, cap. 26, p. 348-64.

11 WITHROW, J. S; O'BRIEN, M.G. Oncologia cirúrgica. ln: ETTINGER,S. J.; FELPEMAN, E. C., Tratado de medicina interna veterinária: moléstia do cão e do gato, 4. ed. São Paulo: Manole, 1997. v.l. cap. 76, p. 723-31.

 

Fonte: Revista Educação Continuada CRMV-SP, São Paulo, volume 3, fascículo 3, p. 033 - 036, 2000.

Autorização: Dra. Maria Cristina de Oliveira Cardoso Coelho.


 

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