
Editorial
Notícias e novidades
Artigos científicos
Listas de discussão
Cirurgias em vídeo
Oferecem estágio
Procuram estágio
Links interessantes
Serviços veterinários
Deixe a sua mensagem
Ortopedia com Dra. Lucine Janiak
Lançamentos
Cursos e eventos
Instituições
de ensino veterinário
Cirurgias em fotos
Agradecimento
Página inicial
Raças
de Cães
Raças
de gatos
Peixes ornamentais
Serviços veterinários
Fale com o veterinário
Achados e perdidos
Casamentos
Doenças mais comuns
Tire suas dúvidas
Criadores
Listas de discussão
Doações
Adoções
Venda de animais (particulares)
Lista de nomes para animais
Links interessantes
Escolha seu cão
Escolha seu gato
Escolha seu animal de estimação
Assuntos importantes
Editorial
Mostre o seu amigo (fotos)
Conte a história
Instituições de ensino
veterinário
Kennel clubes
Clubes
Associações
Federações
Cliparts
Curiosidades
Página inicial
PRESENÇA
DE ENDOPARASITAS EM TRÊS PRAIAS DO MUNICÍPIO DE GUAÍBA-RS/BRASIL
1
PRESENCE OF ENDOPARASITES IN FLUVIAL BEACHES - RS/BRASIL
Vera Regina Albuquerque
Lagaggio 2, Luciana Leal Jorge 3,
Vinícius Oliveira 3,
Maristela Lovato Flores 4, José Henrique da Silva
5.
INTRODUÇÃO
As infecções por helmintos e enteroprotozoários estão entre os mais freqüentes agravos do mundo. As enteroparasitoses podem afetar o equilíbrio nutricional, pois interferem na absorção de nutrientes, induzem sangramento intestinal, reduzem a ingesta alimentar e ainda podem causar complicações significativas, como obstrução intestinal, prolapso retal e formação de abcessos.¹A susceptibilidade às enteroparasitoses varia, dentre outros fatores, com as condições econômicas da população. As parasitoses intestinais apresentam uma distribuição cosmopolita, sendo que as maiores prevalências ocorrem nos países em desenvolvimento, especialmente em áreas onde as condições de saneamento e de educação sanitária se mostram deficientes.3 Inúmeros trabalhos têm evidenciado o alto grau de contaminação de pessoas das mais variadas idades, principalmente as crianças, por enteroparasitas. 6, 4, 3, 8 A presença de cães em locais públicos pode aumentar significativamente a contaminação do solo por ovos de helmintos, tais como: Toxocara canis, Trichuris vulpis e Ancylostoma spp. Esse fenômeno é de extremo interesse em saúde pública. 7 O presente trabalho foi realizado com o objetivo de avaliar o grau de infestação parasitária em três praias de rio do município de Guaíba RS/Brasil, pela sua importância como fonte de contaminação humana e animal, envolvendo zoonoses e doenças de veiculação hídrica.
MATERIAL E MÉTODOS
Foram coletadas, no dia 10 de fevereiro de 2001, 120 amostras das três praias de rio do município de Guaíba, RS/Brasil. São elas: Alegria, Caizinho e Florida. Foram coletadas 60 amostras de água (20 de cada praia) com 1000 ml cada, acondicionadas em frascos estéreis, e 60 (20 de cada praia) amostras de areia, igualmente acondicionadas em frascos estéreis, com 200 g cada. As amostras de água foram submetidas a técnica de Centrífugo-Flutuação com solução de Dicromato de Sódio a 1:350. As amostras de areia, por sua vez, foram submetidas a uma adaptação da técnica de Caldwell & Caldwell.11 A microscopia utilizada para a visualização das formas parasitárias foi a óptica, através dos aumentos de 100 e 400x.
RESULTADOS
As formas parasitárias encontradas foram as seguintes: Na praia 1 (Alegria): 66,36% de Oocistos de Protozoários; 8,48% de ovos de Ascaris spp; 5,45% de ovos de Ancilostoma spp; 3,03% de ovos de Taenia spp; 1,52% de ovos de Toxocara spp; 0,61% de ovos de Trichuris spp; 5,15% de cistos de Giardia spp; 6,06% de cistos de Entamoeba spp e 3,33% de Giardia spp. Na praia 2 (Caizinho): 67,24% de Oocistos de Protozoários; 8,62% de ovos de Ascaris spp; 10,34% de ovos de Ancilostoma spp; 0,69% de ovos de Taenia spp; 1,03% de ovos de Toxocara spp; 5,52% de cistos de Giardia spp; 4,14% de cistos de Entamoeba spp e 2,41% de Giardia spp. Na praia 3 (Florida): 83,26% de Oocistos de Protozoários; 4,19% de ovos de Ascaris spp; 3,72% de ovos de Ancilostoma spp; 0,47% de ovos de Taenia spp; 0,93 % de ovos de Toxocara spp; 3,26% de cistos de Giardia spp; 2,33% de cistos de Entamoeba spp e 1,86% de Giardia spp.
DISCUSSÃO
Em
amostras de estudantes de Porto Alegre/RS, o maior percentual de parasitas
obtido foi de Ascaris lumbricoides 8, coincidindo com os dados numéricos
encontrados no presente trabalho, onde esse parasita foi o segundo mais encontrado.
Em trabalho realizado no estado de São Paulo1, foi encontrada uma percentagem
de 40,1% de Giardia spp e 40,1% de Trichuris spp, sendo as formas predominantes.
Estes resultados foram mais pronunciados que os deste trabalho, onde a prevalência
de Giardia spp foi em 31,66% das amostras e Trichuris spp foi de 1,66%. No
município do Rio de Janeiro4, Ascaris spp e Trichuris spp foram os
parasitas mais encontrados, diferindo dos resultados deste trabalho, onde
Trichuris spp foi um dos parasitas de menor incidência, sendo encontrado
em apenas 3,33% das amostras.
Em trabalho realizado em Foz do Iguaçu³, o parasito mais encontrado
foi Ascaris lumbricoides, apresentando semelhança com este trabalho,
onde este parasito foi o segundo mais encontrado em quantidade por amostra,
ficando abaixo somente da quantidade de oocistos de protozoários. Em
Illinois, E.U.A.5, foi observado um índice de 16,3% de amostras de
solo contendo ovos desse parasita, sendo esse percentual bem superior ao do
presente trabalho. No nordeste do Brasil 9, o solo apresentou altos níveis
de contaminação por ovos de Toxocara spp (24,8%) e ovos de Ancilostomídeos
(0,6%), sendo que nesta pesquisa o índice de Toxocara spp foi inferior
e o de Ancilostomídeos foi superior. Em propriedades rurais de Goiânia,
estado de Goiás 10, foram encontradas 5 amostras de solo com Criptosporidium
spp e nenhuma amostra de água com o referido protozoário. Na
presente pesquisa foram encontrados oocistos de protozoários em quase
totalidade das amostras. A tabela 1 demonstra o grau de contaminação
das três praias analisadas, as quais foram submetidas ao teste do Qui-quadrado,
resultando numa alta significância ao nível de 0,05%.
Tabela 1: Grau de Contaminação Parasitária das Praias do Rio Guaíba, município de Guaíba, RS, Brasil. As letra a,b denotam a diferença altamente significativa entre as referidas amostras ao nível de 0,05%.
A partir de tais resultados, pode-se concluir como sendo de suma importância a sanidade das praias fluviais para a saúde pública, visto a grande incidência de formas parasitárias nesses locais. A visitação de tais praias por pessoas e animais domésticos as torna fonte de contaminação por endoparasitas, através das fezes desses animais e do posterior contato dos freqüentadores com a água e a areia de suas margens. A entrada de animais na água agrava os perigos de contaminação pela disseminação de formas parasitárias na mesma e imediato contato com seus proprietários e demais banhistas. Devem ser adotadas políticas de preservação sanitária desses locais, evitando a entrada de animais domésticos e o acúmulo de dejetos nas margens das praias, com o objetivo de restringir ao máximo os riscos de contaminações da água e da areia dessas praias evitando, desta forma, zoonoses como Larva Migrans Cutânea, Larva Migrans Visceral, Criptosporidiose, Giardíases, dentre outras.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. SALDIVA,
S.R.D.M.; SILVEIRA, S.B.; SILVA, R.M.; PHILIPPI, S.T.; BURATINI, M.N.; MASSAD,
E. http://alter.org.pe/xclan/c10.htm Ano 2002.
2. SOMMERFELT, I.; DEGREGORIO, O.; BARREIRA, M. et al. 1989-1990. Revista
de Medicina Veterinária, v.73, n. 2, p.70-74,1982.
3. DIAS, R.M.G.; COPELMAN, H. http://drareginadias.hpg.ig.com.br/cientifica.htm
Ano 2000.
4. MACEDO, L.M.C.; REY, L. Rio de Janeiro, Instituto Oswaldo Cruz 97p. http://fiocruz.br/cict/teses/tes264.htm1992.
5. PAUL, A.J.; TODD, K.S.; DIPIETRO, J.A. Veterinary Parasitology, v.26, p.339-342,
1989.
6. BIOLLEY, A.; HAZBÚN, E.F.; SEGÚ, S. http://alter.org.pe/xclan/c10.htm
Ano 2002.
7. GUENCHI, C.; MANFREDI, M.T.; RECALEGAARI, M. ; et al. Archivio Veterinario
Italiano, v. 40, n.2, p. 112-117, 1989.
8. SANTOS, R.C.V.; VALENTE, M.P.; ROSSET, I.; ANDREAZZA, M.; TASCA, T.; DE
CARLO, G. http://sindfar.org.br/trabalhoscientificos/analisesclinicas5.htm
Ano 2002.
9. ALCANTARA, N.; BAVIA, E.; SILVÃO, R.M.; et al. Revista da Sociedade
Brasileira de Medicina Tropical, v.22, n.4, p.187-190, 1989.
10. CECCHETTO, F.H.; GARCIA-ZAPATA, M.T.A.; CARNEIRO, J.R.; MARRA, N.M.; MONTES,
L.K.V.; SOUZA, E.S.Jr.; FARIA, M.L.M.; VALLE, A.C.; MANZI, R.S.; AQUINO, L.A.;
BARROS, D.A.C. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical. Pág.
255. V.35: suplemento I, 2002.
11. CORREA, G.L.B.; Contaminação do solo por Ovos, Larvas de
Helmintos e Ooocistos de Protozoários em Praças Públicas
de Santa Maria - RS, Brasil e sua Importância em Saúde Pública.
Tese. 82p. 1995.
____________________
1Trabalho de pesquisa financiado pelo FIPE - UFSM.
2 Doutoranda em Biologia Parasitária, Fundação Oswaldo
Cruz. PRPG/UFSM.
3 Acadêmicos do curso de Medicina Veterinária e bolsistas de
iniciação científica da UFSM.
4 Professora Doutora, Depto de Medicina Veterinária Preventiva, CCR,
UFSM.
5 Professor phD, Depto de Zootecnia, CCR, UFSM.