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SALMONELOSE HUMANA CAUSADA POR RÉPTEIS
ANDRÉ
GRESPAN
CRMV-SP12383 CRMV-SC 2271/F
e-mail: grespan@bigfoot.com
Zoológico Pomerode
Pomerode -SC
Diretor de Patrimônio ABRAVAS
http:/ /www.abravas.com.br
Tel: 011 81633382
Devido à expansão nos últimos
anos, do mercado de animais exóticos como "pets" , centenas
de tartarugas são comercializadas em grandes centros como a cidade
de São Paulo.
Não existe, entretanto, até o momento, controle de sanidade
destes animais quanto ao seu potencial zoo-nótico. É importante
salientar os prejuízos para a Saúde Pública, representados
pela comercialização ir-responsável destes répteis,
colocando em risco a saúde de pessoas, principalmente as crianças,
proprie-tários dos animais e principal grupo de risco.
A Tartaruga de "Orelha Vermelha" ("Trachemys" "scripta"
"elegans") é uma das mais populares entre as pessoas que
optam por esse tipo de réptil como animal de estimação,
tendo sido facilmente encontrada no comércio de São Paulo. Esta
espécie possui hábitos diurnos, chega a ter 25 centímetros
de tamanho de casco.
A maturidade sexual ocorre com 4 anos. O macho possui as unhas dos membros
anteriores avantajadas (para agarrar a carapaça da fêmea na cópula)
e a cauda mais comprida o que facilita a introdução do pênis,
pois a cloaca fica mais caudal. As fêmeas têm postura de 5 a 22
ovos com período de incubação de 93 dias à temperatura
de 25 a 30 C.
Em cativeiro, vive bem em aquaterrários, recintos que possuem uma parte
terrestre e outra aquática, desde que este atenda às suas necessidades
de espaço. Alimenta-se nestas condições de produtos comerciais,
pequenos peixes, plantas e insetos aquáticos, além de alguns
vegetais.
A temperatura ideal está na faixa de 25 a 30 C. Deve receber radiação
solar ou permanecer em ambientes com lâmpadas de UVB afim de fixar cálcio,
evitando doenças osteodistróficas. As condições
em cativeiro, por melhor que sejam, raramente reproduzem na totalidade o ambiente
natural do animal, o que culmina com o desenvolvimento de níveis constantes
de estresse.
Os animais, que em situações normais vivem em harmonia com os
vários agentes que os cercam, quando submetidos à fatores estressantes,
são levados à incapacitação do sistema imunológico,
podendo ocorrer quadros infecciosos.
Os répteis, em geral, são portadores assintomáticos de
"Salmonella" spp, manifestando a doença somente em caso de
queda de imunidade. Segundo alguns autores, estudos realizados demonstraram
que portado-res sadios desta bactéria apresentam a infecção
de forma latente. O estresse produzido através do trans-porte, colocação
em novo ambiente, mudança alimentar ou de manejo, ou simples exposição
em um "Pet Shop", pode levar à ativação do
processo infeccioso latente, com consequente eliminação de "Salmonella"
pelas fezes.
A situação se agrava ainda mais com os comerciantes irresponsáveis
que importam os animais de forma ilegal e em péssimas condições,
lembrando que está proibida a importação de répteis,
e por proprietários desinformados, é comum ver em clinicas particulares
proprietários relatando que os animais não vivem por muito tempo
morrendo com facilidade e durante a anamnese constatamos que eles desconhecem
os cuida-dos básicos e necessidades dos animais. Esta infecção
é a principal zoonose apresentada por este grupo de animais.
Uma vez tendo sido eliminada por animais infectados, a "Salmonella"
apresenta alta resistência no ambien-te. Estudos mostraram que esta
se mantém virulenta por 89 dias em água de torneira, 115 dias
em água de tanques, 120 dias em solo seco, 280 dias em gramados, 28
meses em fezes de aves e 30 meses em ester-co de vaca. Devido a isso, não
somente o contato direto com os animais, mas também a manipulação
do seu recinto pode levar a infecção humana.
Estes dados apresentam grande importância na epidemiologia das infecções
humanas por Salmonella spp, uma vez que o manipulador do recinto corre sérios
riscos de infecção nestas condições, já
que esta bactéria pode penetrar através de soluções
de continuidade de pele ou pela mucosa digestiva.
Os sintomas de salmonelose humana incluem dor abdominal, diarréia,
disenteria, náuseas, vômitos, cãibras e febre. Sérias
complicações como meningites e abscessos cerebrais em crianças
também são reportados. O médico veterinário tem
um papel fundamental no controle da salmonelose animal e humana, este deve
informar ao proprietário sobre as necessidades básicas do animal
e também orientar sobre medidas profiláticas de higiene.
Não devemos esquecer que a baixa notificação de casos
de salmonelose humana causada por esses "pets" pode estar diretamente
relacionada à sub-notificação dos casos por parte dos
médicos devido aos sinais clínicos serem muito inespecíficos
e que nem sempre ocorre a indagação do paciente sobre um possível
"Pet".
Acredita-se que o número de casos seja muito maior do que é
relatado.
Publicado sob a autorização de André Grespan.
ANCLIVEPA
.SP Boletim Informativo - ano VI - n. 25 - abril/ setembro - 2001