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TRANSFUSÃO SANGÜÍNEA EM CÃES E GATOS
Mércia
Viviane Augusto de Oliveira - Estagiária Anjovet - Graduanda UNG -
SP
Dr. Sidney Piesco de Oliveira - Clínica Veterinária, Centro
Cirúrgico e Fisioterápico "Anjo da Guarda"
A transfusão sangüínea, também chamada de hemoterapia, constitui-se no ato de transferir sangue de um doador a um receptor que esteja correndo risco de vida. Seu objetivo é fazer com que a volemia do animal atinja níveis normais para que a circulação de sangue se normalize.
INDICAÇÕES
A transfusão será indicada a pacientes que estejam com níveis celulares muito abaixo do normal, com sintomas de anemia, como mucosas pálidas, taquicardia e taquipnéia.
Também será indicada a pacientes que sejam submetidos a cirurgias longas e muito cruentas, a pacientes com hipoproteinemia e também como terapia estimulante, restabelecendo o sistema imunológico do animal, fazendo com que sua resistência aumente.
CONTRA-INDICAÇÃO
A única contra-indicação que deve ser levada em conta é a incompatibilidade sangüínea que caracteriza-se pela impossibilidade de se misturar dois tipos de sangue. Sendo assim, quando dois tipos de sangue estão em presença um do outro, os glóbulos vermelhos de um deles aglutinam os glóbulos do outro.
Nos animais, por não existir anticorpos contra as hemáceas que foram transfundidas, na primeira transfusão não será necessário fazer o teste de compatibilidade, mas a partir da segunda, já poderá ocorrer algum tipo de reação como urticária no caso dos cães e parada respiratória no caso dos felinos.
TRANSFUSÃO
CÃES
DOADOR
O animal deve ter idade superior a um ano, com peso igual ou superior a 25 Kg, deve ter temperamento dócil para facilitar a coleta. Deve ser também, clinicamente sadio, com boa condição física, livre de doenças infecciosas e estar com a vacinação em dia.
Normalmente, utiliza-se o doador negativo para os antígenos CEA-1 e CEA-2 (canine erythrocytes antigens), pois cães, submetidos a transfusões previamente sensibilizados com estes antígenos, reagem com uma hemólise severa.
COLETA
Caso haja necessidade, o doador deve ser tranqüilizado com cloridrato de clorpromazina na dose de 3 a 5 mg/Kg e ao total da dose deverá ser adicionado atropina na dose de 0,4 mg/Kg. O tranqüilizante deve ser injetado por via endovenosa, pela veia cefálica. Passados 15 minutos, o animal estará pronto para a coleta.
REGIÕES PARA A COLETA
O sangue deve ser obtido da veia jugular, com punção do vaso com agulha grossa ou catéter. Uma outra técnica utilizada é a punção cardíaca, com agulha grossa, fazendo a punção no ventrículo direito ou esquerdo com o animal anestesiado, porém, essa via é a menos recomendada.
QUANTIDADE DE SANGUE A SER COLETADA
A quantidade de sangue que deverá ser retirada é de 20 ml/Kg, sendo que a coleta poderá ser repetida a cada 2 semanas.
ARMAZENAMENTO
O sangue retirado deverá ser armazenado em recipientes de plástico ou vidro contendo uma solução de anticoagulante. A quantidade de anticoagulante dependerá da quantidade de sangue retirado, mas podemos dizer que a quantidade a ser utilizada deverá obedecer a proporção de 4 ml de sangue para 1 ml de anticoagulante, ou seja, se for retirado do animal 250 ml de sangue, o recipiente deverá conter 62,5 ml de anticoagulante.
Anticoagulantes
Os mais utilizados são o ACD (ácido cítrico, citrato
de sódio e dextrose) e o CPD (citrato de sódio, fosfato e dextrose).
A dextrose contida nestes anticoagulantes serve de nutriente e meio de sobrevivência
para os eritrócitos.
O recipiente contendo o sangue deve ser identificado, datado e armazenado sob uma temperatura de 5ºC, em geladeira comum. Desta forma poderá ficar estocado por até 21 dias.
VIAS DE TRANSFUSÃO
Endovenosa:
é a mais utilizada pela facilidade de contenção do animal.
As veias utilizadas são: as safenas, as jugulares e as cefálicas,
sendo estas últimas as mais utilizadas.
Intrafemoral: é indicada em cães jovens, pois há facilidade
de perfuração do osso e rápida absorção
para a circulação.
QUANTIDADE DE
SANGUE A SER TRANSFUNDIDA
A quantidade deverá ser de 10 a 20 ml/Kg. O gotejamento deve começar lentamente, com 30 gotas por minuto até completar uma hora. Se durante este período, o animal não apresentar nenhuma reação, então a velocidade poderá ser aumentada para 80 gotas por minuto.
GATOS
O procedimento é bem semelhante à transfusão feita em cães, porém, a quantidade a ser retirada de um doador sadio é de até 170 ml de sangue, dependendo do tamanho do animal que deverá pesar de 4 a 6 kg. O armazenamento também deverá ser em recipientes que contenham solução anticoagulante na proporção de 4:1.
No caso do sangue felino, poderá ficar estocado por até 30 dias sob refrigeração em geladeira comum.
A animal receptor poderá receber até 60 ml de sangue, sendo que após a transfusão, normalmente os gatos vomitam e outros podem morrer sem causa aparente.
Referências
www.dognostic.com.br/hemoterapia.htm
www.vidadecao.com.br/cao/transfusao2.htm
www.saudeanimal.com.br/artig160.htm