QUANDO REQUISITAR
UM EXAME
ULTRA-SONOGRÁFICO
Dra. Eliana
Guglielmetti Serra 1
1. Médica
veterinária Ultra-sonografista
IKEER - Divisão Veterinária
Av. Brigadeiro Luiz Antonio 2501 3. and.
(11) 3285-1714 / (11) 3262-3964
A ultra-sonografia
é, atualmente, o meio semiológico ideal para o exame de todos
os tecidos moles do organismo animal.
Sendo assim,
é nossa intenção divulgar algumas considerações
quanto as suas possibilidades como apoio diagnóstico e esclareder quais
as estruturas anatômicas e diversas anomalias por ele visualizadas.
Avaliação
dos tecidos moles
- Musculatura
- Tendões, ligamentos
- Bolsa articular
- Gordura
- Tecido subcutâneo
- Serosas
- Linfonodos
- Órgãos
- Grandes vasos
- Glândulas
- Cordão mamário
- Globo ocular
- Estruturas extraoculares
O que podemos
avaliar em um exame ultra-sonográfico
- Relação
entre a estrutura analisada e as estruturas vizinhas, limites, formato,
tamanho, avaliação da homogeneidade, vascularização
- Presença
de anomalias difusas e focais.
- Difusas:
inflamatórias, infecciosas, infiltrações adiposas,
congestivas, isquêmicas, necróticas e processos neoplásicos
difusos.
- Focais:
número de lesões focais, volume, forma, limite, homogeneidade.
Tipos de lesões focais: ruptura, cisto, abscesso, hematoma, cálculo,
calcificação, corpos estranhos, fibrose, lise, infarto, necrose,
neoplasia.
Musculatura,
tendões, bolsa sinuvial
- Formato,
espessura, direcionamento das fibras musculares e vascularização
- Anomalias:
difusas e/ou focais.
- Focais:
cisto, pseudocisto,
abscesso, hematoma, calcificações, fibroses, lises (rompimento
ou esgarçamento das fibras musculares ou tendíneas), corpos
estranhos e neoplasias.
- Difusas:
alterações
na ecotextura total - nos casos das infiltrações inflamatórias,
infecciosas, anomalias congestivas, necróticas, isquêmicas
e neoplasias difusas.
- ** Coleta
aspirativa ou de fragmento, monitorizada para exame citológico ou
histológico faz o diagnóstico diferencial das diversas patologias
Região
cervical
- Glândulas: salivares,
tireóide
- Linfonodos regionais
- Globo ocular
- Estruturas extraoculares
- **Posicionamento, limites,
tamanho, formato e homogeneidade
- **Anomalias difusas e/ou focais
- * Monitorização
de biópsias (aspirativa ou de fragmento).
Globo ocular
- Estruturas
internas : córnea, câmara anterior, corpo ciliar, lentes (cristalino),
câmara vítrea, e disco óptico.
- Córnea:
irregularidades, lises e fibrose.
- Corpo ciliar:
Neoplasias primárias ou secundárias.
- Lentes: Deslocamento,
sub-luxação, luxação e opacificação
(catarata)
- Câmara
vítrea: Lesões membranosas, infiltrações inflamatórias
(endoftalmite) ou infecciosas, hemorragia, coágulo, corpo estranho,
abscesso, neoplasia, hialose asteróide, deslocamento posterior vítreo
e hiperplasia persistente primária vítrea.
- Retina: deslocamento
e luxação.
- Estruturas
extra-oculares: nervo
óptico, musculatura extra-ocular e gordura retrobulbar.
- Anomalias retrobulbares: infiltrados celulares, abscessos, corpo estranho,
extensão de endoftalmite no espaça retrobulbar e lesões
inflamatórias (Dirofilária, Ancylostoma, larva de Díptera).
- Gordura retrobulbar:
celulite retrobulbar e neoplasia.
- Nervo óptico:
neoplasias, papiledema, papilite, inflamação/infecção
(toxoplasmose, criptococcose, blastomicose, cinomose, peritonite infecciosa
felina, reticulose do sistema nervoso central, trauma), aplasia, hipoplasia,
atrofia, coloboma (Collie eyes síndrome) e neoplasia.
Região
torácica
Pulmões
Ecotextura e homogeneidade.
- Anomalias: presença de massa ou lesões focais
Biópsia monitorizada (aspirativa ou de fragmento)
HISTÓRICO
Natureza
> mariposas, golfinhos e morcegos (captura de alimentos e locomoção).
Homem>
> Strech e Rayleigh (1877) - "Teoria do som".
> Jacques e Pierre Curie (1880-1881) - Efeito piezoelétrico.
> Galton (1883) - gerador de alta frequência de som.
> Chiloswsky e Langevin (1916) - Técnica da emissão
de ultra-som e captação de eco, para localização
de submarinos alemães durante a Primeira Guerra Mundial pelo SONAR
(Sound Navigatio and Raging).
> Wild (1950), Howry e Bliss (1952) - Ultra-sonografia bidimensional
("Compound scanning").
FÍSICA
/ FORMAÇÃO DA IMAGEM
Ultra-som /
ultra-sonografia / ecografia
- Onda =
forma de propagação de energia
- Ondas
eletromagnéticas =
propagam-se no vácuo
- Ondas
mecânicas =
não se propagam no vácuo, precisam de um meio material para
se propagar (líquido, sólido ou gasoso)
- Som =
onda mecânica audível pelo homem - frequência = entre
8 Hz e 20 Hz (Khz = mil Hertz).
- Infra-som
= não audível
pelo homem - frequência inferior a 8 Hz
- Ultra-som
= não audível
pelo homem - frequência superior a 20 Hz
- Ultra-sonografia
= ecografia = método
de diagnóstico para exploração de estruturas, através
da emissão de ultra-som e captação de ecos
- Transdutor
= que contém
os cristais piezoelétricos = instrumentos capazes de converter uma
forma de energia em outra
- -- Linear
= visão de campo retangular
- -- Convéxo
= visão em "leque"
- -- Setorial
= "leque" mais aberto - menos utilizado atualmente
Na ultra-sonografia
diagnóstica, utilizamos transdutores com frequência de 3,5 a
15 MHz
INTERAÇÃO
COM O MEIO
- Reflexão
= eco acústico =
responsável pela formação da imagem
- Atenuação
= uma parte dos raios
vai interagir com o meio
- Impedância
acústica =
resistência de cada tecido à passagem do som
- Absorção
= dissipação
de energia mecânica em térmica. Propriedade explorada pelo
ultra-som terapêutico e insignificante no ultra-som diagnóstico
- Artefatos
= estruturas irreais
/ impropriamente localizadas
* Sombra acústica
* Cauda de cometa
* Sombra de bordo
* Reforço posterior
* Espelho
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TERMINOLOGIA
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- ANECÓICO = ANECOGÊNICO
= TRANS-SÔNICO
ausência de
ecos, transmissão completa de som - (negro)
- ECÓICO = ECOGÊNICO
presença de
ecos - (escala de cinza)
- HIPERECÓICO = HIPERECOGÊNICO
ecos brilhantes,
estruturas altamente reflexivas - (branco)
- HIPOECÓICO = HIPOECOGÊNICO
ecos esparsos, reflexão
ou transmissão intermediária - (cinza)
- ISOECÓICO = ISOECOGÊNICO
estruturas com a
mesma ecotextura ou ecogenicidade