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Em prol da castração
Por Fernanda Ferrari, jornalista e estudante de Medicina Veterinária.
ferrari_fernanda@hotmail.com
Minha gata, Lua, ganhou o seguinte presente em seu aniversário de três
anos: uma castração. No início, quando sua veterinária
cogitou a possibilidade de retirar-lhe útero e ovários e explicou-me
sobre o procedimento, tive medo de que algo errado pudesse acontecer e receio
por ela não poder viver o que nós, seres humanos, julgamos ser
tão importante: ter filhos. Ou... filhotes. Medo, enfim, por ter que
tomar tamanha responsabilidade para mim, a dona, a mãe.
Comecei então uma busca por um macho que eu julgasse apto a acasalar com ela. Diziam ser essa outra solução interessante para seus cios constantes e barulhentos e para sua extrema agressividade com todos. Porém, quando encontrei o tal gato, a Lua disse "não", em alto e bom som. Bateu, unhou, mordeu. Não teve jeito. Ela não quis e ele não voltou mais.
Logo depois, iniciei meu curso de Medicina Veterinária e, graças a isso, passei a prestar mais atenção em todos os animais que vagam pelas ruas da cidade, sem dono, comida ou afeto e cujo destino mais plausível é o sacrifício.
Minha obsessão por encontrar um macho parecia, então, estar desaparecendo. Passei a refletir sobre as conseqüências de uma prenhez. O que faria com sua ninhada? - poderia ficar com um filhote apenas, por morar em apartamento e por meu marido não querer viver num gatil. E os outros, para onde iriam? Será que, mesmo que os doasse para pessoas conhecidas, eles seriam bem cuidados, por toda a vida? Muitas dúvidas começaram a surgir. Não pensava em outra coisa a não ser a possibilidade de acabarem tendo que sobreviver de lixo em praças, parques e ruas.
Por isso, tomei a sábia decisão de castrar a Lua - e não me arrependo por vários motivos. Primeiramente, porque ela possuía a chamada Síndrome de Ovários Policísticos, causa de seus cios irregulares, com intervalos curtos e alterações hormonais - que poderiam estar provocando a agressividade.
Em
segundo lugar, porque todos os dias vejo animais abandonados e carentes por
São Paulo. Já são muitos os que proliferam sem controle
por aí, e não gostaria de contribuir para que essa população
aumentasse. Afinal, cada um de seus filhotes seria, futuramente, responsável
por mais uma, duas ou várias ninhadas de rua. E assim, eu passaria
a fazer parte de um grupo que não sabe - ou não quer entender
- o que é posse responsável.
Animais crescem, dão trabalho e exigem atenção, carinho,
compaixão. São como crianças: sentem dor, fome, sono
e precisam de alguém que possa lhes suprir essas necessidades para
que cresçam felizes e sadios. Mas isso todo mundo sabe, não
é mesmo?
Castre seu animal. Ele não vai deixar de ser alegre. Só não vai trazer ao mundo outros que podem ter o destino que todos preferem ignorar. E, se depois disso, você quiser ter outro animalzinho, faça como eu, adote um que tenha sido abandonado. Ele vai te agradecer. Pode ter certeza.
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