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São Paulo,

Evolução Natural Eletrônica

Um trabalho publicado na última edição da revista científica "Nature" (www.nature.com), ajuda a esclarecer de vez um ponto da teoria da evolução por seleção natural.

O biólogo Richard Lenski, principal autor do estudo, trocou as bactérias de seu laboratório pelo Avida (dllab.caltech.edu/avida), um software que simula o desenvolvimento e a evolução da vida.


A intenção era provar que órgãos como o cérebro não poderiam ter surgido do nada, e sim em etapas.

Os avidianos são criaturas parecidas com bactérias eletrônicas. Eles têm um "genoma", representado por um conjunto de regras matemáticas, se reproduzem assexuadamente, por bipartição , estão sujeitos mutações em cada cópia e competem num ambiente por comida , quantidades mínimas de eletricidade conhecidas como SIPs, neste caso.

O experimento partiu de uma linhagem de avidianos com um genoma simples, de 50 instruções. Durante a competição por SIPs as sucessivas gerações acumularam diversas mutações aleatórias.

Algumas dessas mutações eram responsáveis pela morte das criaturas digitais. Outras as tornavam capazes de desempenhar um conjunto de instruções lógicas que lhes permitiam ganhar energia extra, simulando a teoria da evolução referente às vantagens sobre as concorrentes.

Nove funções lógicas possíveis estavam programadas. A mais complexa dava o maior bônus energético aos avidianos e também era a mais difícil de adquirir ao longo da "evolução".

Após 350 ciclos ou gerações, a maioria dos avidianos que evoluíram a partir do ancestral simples eram capazes de desempenhar a função mais complexas. O genoma cresceu de 50 para 83 instruções, em média.

Todos os avidianos passaram por funções mais simples até chegarem a funções complexas.

As mutações tornavam alguns indivíduos habilitados a executar funções complexas.

O experimento também mostrou que os avidianos perdiam uma função mais complexa quando deixados num ambiente no qual não havia recompensa por ela.

Apesar de todo o experimento, os avidianos ainda não exercem nenhuma função parecida com as do cérebro humano.