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As
deformidades angulares e rotacionais dos ossos longos induzem problemas funcionais
em casos onde a deformidade está além da capacidade do animal em compensá-la.
Ambas causam sobrecarga e estiramento anormal nas articulações adjacentes
e isto vai induzir a afecção articular degenerativa com o tempo.
Essas
deformidades geralmente são causadas pela parada prematura das placas de crescimento
dos ossos longos, ou pela consolidação de uma fratura de osso longo em posição
de redução incompleta. Muitas deformidades podem ser corrigidas através da
secção e reposicionamento do osso.
OSTEOTOMIA
É
a secção cirúrgica do osso, utilizada na maioria das vezes na intenção de
reparar uma deformidade óssea. As deformidades mais comuns incluem valgo,
varo, hiperextensão e hiperflexão.
O
comprimento pode ser encurtado ou (raramente) alongado e a rotação pode ser
externa. A má união pode incluir todos os acima citados e o deslocamento de
fragmentos diafisários em todos os planos e direções. Essas deformidades são
tratadas por osteotomia corretiva; osteotomias simples são comumente realizadas
como parte de abordagens cirúrgicas ou como parte de outro procedimento, tal
como a artrodese.
INDICAÇÕES
COMUNS PARA PRÁTICA DE OSTEOTOMIA
·
Deformidade angular do rádio e ulna devido à parada fiseal prematura
do rádio e/ou da ulna;
·
Deformidade angular da porção distal da tíbia devido à parada fiseal
prematura da porção distal da tíbia e/ou distal da fíbula;
·
Correção ou prevenção da displasia coxofemural;
· Má união de todos os ossos longos e pelve
3) DISTÚRBIOS NUTRICIONAIS
A.
Dieta baseada somente em carne.
A
dieta a base de carne é rica em fósforo e pobre em cálcio, esse desequilíbrio
acaba acarretando em hiperparatireoidismo nutricional secundário, uma condição
na qual as paratireóides são estimuladas a secretar o paratormônio. Este hormônio
aumenta a absorção de cálcio a partir do osso para manter níveis séricos adequados.
No animal jovem, o resultado pode ser perda de densidade esquelética e diminuição
da cortical óssea. Assim, claudicação e fraturas podem ocorrer. O tratamento
envolve a alimentação do animal com dieta comercial balanceada, bem como suplementação
com cálcio.
B.Hipernutrição
e hipersuplementação
A
maioria das rações comerciais secas contêm as quantidades apropriadas e equilíbrio
entre o cálcio e fósforo.
Muitas
vezes, não contentes com a alimentação comercial, proprietários decidem, encorajados
por criadores, suplementar a alimentação com vitaminas, fosfato dicálcico,
ossos, cereais de alto valor de proteínas, carne, leite, queijo, ovos, gérmen
de trigo e, outros nutrientes, acarretando em graves distúrbios nutricionais,
principalmente em cães de grande porte.
Esses
distúrbios, muitas vezes acabam em desordens do crescimento como por exemplo:
crescimento acelerado, depressão das articulações metacarpofalangeanas, desvio
lateral das extremidades dos membros torácicos ( deformidades valga do carpo
), membros pélvicos "tarso de vaca", aumento das metáfises distais
radial e ulnar, aumento de volume das junções costocondrais, dor, coluna espinal
arqueada, inatividade, além de obesidade, que adquirida nesta fase apresenta
controle duvidoso, já que o regime alimentar instituído na fase adulta, dificilmente
reduzirá o número daquelas células adiposas adquiridas anteriormente.
Observa-se
que o crescimento ósseo não acelerado, ou seja, mais lento, portanto com melhor
conformação ósseo evita lesões que causam deformidade óssea.
O
diagnóstico diferencial que se faz com hipernutrição é o raquitismo, que também
descreve um crescimento acelerado. O raquitismo é extremamente raro e tem
sido visto somente sob condições de jejum.
Muitas dessas patologias podem ser corrigidas quando a dieta é mudada, enquanto o cão ainda está crescendo. Algumas deformidades graves podem requerer a osteotomia corretiva depois que a maturidade esquelética for atingida.
4)
OSTEODISTROFIA HIPERTRÓFICA
Também conhecida como escorbuto ou osteodistrofia
metafisária é uma síndrome que acomete cães jovens de raças de porte médio
e gigantes, que crescem rapidamente. Os cães apresentam então: claudicação
em um ou mais membros em associação com inchaço e inflamação das regiões metafisárias
dos ossos longos, muitas vezes confundido com edemas das articulações.
A etiologia
é desconhecida. Antigamente atribuí-se a deficiência de vitamina C no organismo,
mas a redução dos níveis de ácido ascórbico no soro sangüíneo, ou na urina
não parece relacionar-se a doença.
Atualmente a
incidência dessa doença é muito baixa. Descrevem-se complicações relacionadas
ao decúbito prolongado, anorexia e hipertermia nos animais severamente afetados.
O prognóstico
é reservado.
Embora muitos
cães se recuperam espontaneamente, podem-se desenvolver alterações ósseas
e deformidades físicas permanentes.
A osteodistrofia
hipertrófica ocorre somente em cães em crescimento com fises abertas.
SINAIS CLÍNICOS
O início dos
sinais clínicos ocorrem geralmente com 3 a 4 meses de idade ( variação de
2 a 8 meses).
Febre, anorexia,
prostração, perda de peso, dor coluna espinal arqueada, relutância aos movimentos,
histórico de diarréia uma semana precedente.
São sinais da
doença.
Geralmente a
claudicação é bilateralmente simétrica.
DIAGNÓSTICO
Clínico:
·
Metáfises inchadas, quentes e doloridas à palpação.
·
Febre de até 41 graus Celsius
História:
·
Perda de peso
Avaliação laboratorial:
·
Não indicam grandes mudanças, apenas suaves anormalidades
relacionadas com anorexia e estresse.
Sinais radiográficos:
·
O achado inicial é uma linha radiotransparente fina
na metáfise à placa epifisária, especialmente do rádio. Secundariamente, existe
áreas de calcificação extraperiostal ao longo da metáfise. A linha radiotransparente
desaparece e é substituída por radiodensidade aumentada. Se ocorrerem recidivas,
nova linha radiotransparente aparece entre a fise e a região radiodensa. À
medida que o cão cresce, estes espessamentos extraperiostais freqüentemente
regridem, mas podem deixar a metáfise permanentemente espessada.
DIAGNÓSTICO
DIFERENCIAL
·
Panosteíte, neoplasias associadas a ossos e osteopatia
hipertrófica.
TRATAMENTO
Não existe tratamento
específico.
Muitas vezes
a remissão é espontânea em 7 a 10 dias.
Analgésicos
e medicações antidiarréicas são indicadas assim como tratamento de suporte
para os casos em que o animal não se alimente normalmente
5)
NECROSE ASSÉPTICA DA CABEÇA DO FÊMUR
A causa da tal
necrose não é conhecida com certeza, mas tem sido proposta como isquemia resultante
da compressão vascular e atividade hormonal sexual precoce. Uma causa genética,
homozigose para um gene autossômico recessivo, tem sido relatada.
O traumatismo
geralmente associa ao início da claudicação, e este pode progredir para a
não sustentação do peso.
Em todos os
casos, a dor se manifesta no animal devido a deformação e necrose do osso
da cabeça e colo femurais. A afecção bilateral ocorre em cerca de 15% dos
animais.
Não se sabe
o que faz com que a cabeça vascular se torne avascular, após isso, o osso
revasculariza-se e remodela-se à medida que o osso sofre reabsorção. O osso
eventualmente pode formar-se novamente na área necrótica, mas a cabeça e colo
femurais estão deformados com incongruências articular e instabilidade resultante.
Estas condições levam a graves mudanças degenerativas dentro de toda a articulação
coxofemural e o desenvolvimento de acentuada ósteo-artrose.
A sustentação
de peso faz com que o osso subcondral enfraquecido entre em colapso, o que,
por sua vez, leva a fratura da cartilagem.
SINAIS
CLÍNICOS
Dor local.
O animal apresenta-se irritado, pode morder a área do flanco e coxal. A dor
pode ser determinada na articulação coxofemural, particularmente na abdução.
A crepitação pode estar presente, com taxa de movimentação restrita do membro.
A atrofia dos músculos glúteos e quadríceps tornam-se aparente.
A ocorrência
de claudicação é geralmente gradual , e seis a oito semanas são necessárias
para progressão até a completa impotência funcional, embora a dor possa ser
aguda quando existir fratura da cabeça femural em áreas líticas.
DIAGNÓSTICO
Exame físico
e achados radiográficos.
No raio X: O
espaço articular pode se alargar e podem-se observar vários focos de redução
da densidade óssea na cabeça e no colo femurais.
A cabeça femural
se achata onde ela contacta a borda acetabular dorsal e, então distorce ainda
mais em graus variados. Os osteófitos bem como a subluxação e fratura da cabeça
e colo femorais podem ser vistos ocasionalmente, ocorre também osteoartrite
secundária na articulação.
TRATAMENTO
O tratamento
cirúrgico é o mais indicado. Consiste na ressecção da cabeça e colo femurais.
O tratamento conservador com repouso e analgésicos muitas vezes não traz nenhum
benefício ao animal.
Com a técnica
cirúrgica adequada cerca de 100% destes animais vão se movimentar e ficar
livres da dor.
Leve claudicação
pode permanecer porque o membro é encurtado pela remoção da cabeça e colo
femurais e os músculos da coxa e articulação coxofemural permanecem de alguma
maneira atrofiados.