4. INFERTILIDADE EM CADELAS COM CICLOS ANORMAIS

(Birchard, SJ e Sherding, RG, 1994)

A infertilidade ou subfertilidade em cadelas com alterações no ciclo estral nem sempre decorre da alteração em si, e sim freqüentemente por cruzamentos realizados em momentos inadequados.

4.1 Anestro persistente

Os animais que se encontram em anestro persistente podem ser divididos em duas subcategorias: aqueles que nunca tenham ciclado (anestro primário) e aqueles em que tenha ocorrido um ou mais ciclos prévios, mas que não estejam mais ciclando (anestro secundário). (Jonhston,SD et al, 1994)

4.1a Anestro primário (Puberdade tardia)

Causas: (Nelson, RW e Couto, CG)

variabilidade normal
estro não detectado
maturidade atrasada (genético ou nutricional)
Intersexo (desordens cromossomais, uso de andrógenos)
Iatrogênico (administração de andrógenos ou progestágenos)
desordens relacionadas ao eixo HPO (por exemplo neoplasias, insultos traumáticos)
defeitos endócrinos (hipotireoidismo, diabetes mellitus ou desordens da adrenal)


DIAGNÓSTICO
Histórico
*determinar método e freqüência de detecção de estro, eliminar possibilidade de ter ciclado despercebidamente.
*descartar ovariohisterectomia prévia.
*animais com menos de 24 meses podem ser pré-púberes.
*descartar possibilidade de tratamento anterior com progestágenos e andrógenos, que poderiam suprimir sinais de ciclicidade, durante o tratamento ou por algum tempo após este.
*cadelas idosas podem ter ciclado muitas vezes e deixado de ciclar.
Exame físico
*avaliação física geral para determinar se o estado de saúde é compatível com a ciclicidade (condição corporal adequada) para sinais de estro e proestro.
*exame para doenças sistêmicas que possam interferir na ciclicidade.
*exame para evidenciar intersexo.
*exame para evidenciar disfunções endócrinas, como hiperadrenocorticotismo, hipotireoidismo, nanismo hipofisário.
*Avaliação laboratorial
*Realizar contagem completa sangüínea, urinálise e perfil bioquímico, se indicado.
*Citologia vaginal para obter informação do estágio do ciclo estral, e se o ciclo é normal ou não e a presença de metrite, piometra, cervicite ou vaginite.
*Pesquisa de B. canis
*Mensuração basal dos níveis de T3 e T4 , e de FSH (teste de estimulação da tireóide com TSH)
*Teste endócrino:
- análise de progesterona sérica a cada 1-2 semanas. Concentração maior que 2ng/ml é sugestiva de corpo lúteo funcional
- concentração de LH maior que 30ng/ml em três amostras consecutivas, com intervalos de 20 minutos, sugere ovariectomia ou hipoplasia/aplasia ovariana
*Cariotipagem, recomendada em animais:
- com evidência de genitália externa anormal
- com histórico de nunca terem ciclado
- acima de 18 meses de idade sem evidência de ciclicidade, após 6 meses de esfregaços vaginais semanais
*Ultra-sonografia do trato reprodutivo: fornece informações da presença ou ausência de aumento uterino, e/ou acúmulo de fluidos e alguma anormalidade, como massas ovarianas
*Laparoscopia/ Laparotomia: considerar como um método de avaliação do trato reprodutivo


*TRATAMENTO
*Animais com cariótipo anormal: recomenda-se castração
*Animais com cariótipo normal que não ciclaram até os 30 meses, são candidatos para indução do estro. Alguns protocolos para indução do estro:
- administrar FSH 1-2mg, pela via subcutânea ou intramuscular, nos dias 1, 3, 6 e 9, realizando citologias vaginais em cada um desses dias. Quando a citologia revelar 80% de células superficiais, cruzar a cadela e administrar hCG 500-1000UI, pela via intramuscular ou intravenosa
- administrar FSH 2mg/dia por 5-10 dias, seguido de hCG como acima
- administrar FSH 25mg semanalmente, num total de 5 doses. Quando a cadela entrar em proestro, descontinuar FSH e realizar citologia vaginal. Administrar hCG como acima e cruzar
- se a cadela demonstrar sinais de proestro e retornar a anestro, fornecer 25mg, 10mg e 5mg de FSH em dias sucessivos, seguindo de cruzamento e hCG
*Neoplasias: remoção cirúrgica dos tumores ovarianos
*Desordens endocrinológicas: esquemas de tratamento para hiperadrenocorticotismo, nanismo hipofisário, hipotireoidismo, e hipertireoidismo

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