2.4 PROESTRO

Duração: Aceita-se que o início seja correspondente ao aparecimento de sangramento vaginal, ou ainda outros sinais como mudança de comportamento da fêmea, atração de machos e intumescimento vulvar, e termina quando a cadela permite que o macho monte e cruze. A média de duração é de 9 dias, podendo ocorrer variações normais de 1-2 até 25 dias.
Sinais clínicos : A fêmea desencoraja qualquer tentativa de montar do macho, rosnando, fugindo, mostrando os dentes ou até mesmo mordendo. Observa-se também que a cadela costuma manter a cauda fortemente pressionada contra o períneo.
Tipicamente o proestro é associado com descarga vaginal sanguinolenta, mas nem sempre esta ocorre. Esse sangramento é resultante de diapedese de hemáceas e ruptura de capilares subepiteliais, devido às rápidas mudanças que ocorrem no endométrio em resposta à secreção folicular de estrógeno. A facilidade em se detectar esse corrimento depende do comportamento de limpeza de cada animal e mesmo da raça, sendo percebido mais facilmente naquelas que apresentem pêlos e caudas longos.

A vulva aumenta de tamanho com o decorrer do proestro, com edema e inchaço dos lábios vulvares.

Mudanças hormonais: A cadela em proestro está sob influência do estrógeno sintetizado e secretado pelos folículos ovarianos em desenvolvimento. O estrógeno é responsável pelas alterações de comportamento na fêmea, descargas vaginais, atração de machos, preparação uterina para a prenhez, além de outros eventos proestrais.
No proestro a concentração de estrógeno, que estava em níveis de 8 a 15 pg/ml no anestro, se eleva para 25 pg/ml no início do período chegando a picos de 60-70 pg/ml no final. O pico da concentração plasmática de estrógeno ocorre 24- 48 horas precedendo o estro.

Os níveis de progesterona durante o proestro, exceto nas últimas 12- 48 horas, são basais (<0.5ng/ml). O fim do proestro é caracterizado por elevação dos níveis de progesterona, enquanto que os níveis de estrógeno decaem.

A concentração das gonadotrofinas aumentam no início do proestro, depois os níveis basais são mantidos até que ocorra o próximo pico, associado com o começo do estro.

Anatomia vaginal e uterina : A mucosa vaginal no anestro é relativamente frágil, formada por apenas poucas camadas de células. O aumento dos níveis de estrógeno no proestro causa uma rápida multiplicação do número de camadas de células da mucosa vaginal, que se observada à vaginoscopia apresenta-se mais espessa e pregueada.
A ampliação do número de camadas celulares acaba afastando as células luminais cada vez mais do suprimento sangüíneo, resultando na morte dessas células. Essa nova conformação torna o tecido muito menos sensível e menos frágil, não só pelo aumento das camadas mas também através do desenvolvimento de precursores de queratina nessas células, prevenindo assim traumatismos durante a cópula.

Sob os efeitos do estrógeno e progesterona, a mucosa uterina passa por mudanças semelhantes, o endométrio se prepara para a implantação através de um marcante aumento da espessura da parede uterina e da atividade glandular. Essas mudanças podem estar associadas inicialmente a presença de algum sangramento.

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