2.5 ESTRO
A fase estral inclui o tempo durante o qual a cadela permite que o macho a monte e fecunde.
Mudanças hormonais: a concentração de estrógeno alcança um pico 1 ou 2 dias antes do começo do estro. A cadela, geralmente, começará a exibir sinais de cio somente quando a concentração de estrógeno circulante (uma vez elevada) está declinando. O declínio da concentração de estrógeno é um reflexo do final do processo de maturação do folículo, muitos dias antes da ovulação.
Simultaneamente com o declínio dos níveis de estrógeno, as células do folículo ovariano começam a luteinizar-se e secretar progesterona. A combinação do aumento da concentração plasmática de progesterona e do declínio da concentração de estrógeno estimula: a mudança do comportamento da cadela, deixando de ser contrária à cobertura, e sim procurá-la ativamente; e realiza forte “feedback” positivo para hipotálamo e pituitária, resultando numa onda de secreção do hormônio folículo-estimulante (FSH) e do hormônio luteinizante (LH) no começo dos sinais de cio.
As células luteinizadas, capazes de sintetizar e secretar progesterona, são funcionantes antes do desenvolvimento do corpo lúteo. Estas células causam o início da elevação da concentração de progesterona, associada ao começo dos sinais de cio. Um efeito deste aumento de progesterona é a intensidade e a duração do comportamento estral.
A onda de LH inicia a ovulação dentro de 24 a 48 horas, e depois desta, há a formação do corpo lúteo. Os níveis de progesterona continuam aumentando na circulação durante estes dias; e com o desenvolvimento do corpo lúteo funcional, a concentração de progesterona aumenta ainda mais, por um período de 1 a 3 semanas.
Ovário e útero: o início dos sinais de cio está associado com o final do processo de maturação dos folículos em desenvolvimento. Durante estas horas finais de atividade folicular, a síntese de estrógeno está diminuindo e a de progesterona está aumentando rapidamente. A ovulação, espontânea na cadela, ocorre 24 a 72 horas depois da onda de LH.
Raças pequenas ovulam poucos óvulos (2 a 10), quando comparado às raças grandes, que podem ovular de 5 a 20 óvulos.
O peso do ovário atinge o máximo imediatamente antes da ovulação.
O estágio de desenvolvimento semelhante dos folículos ovulatórios garante que os filhotes de uma mesma ninhada nasçam sem diferenças de idade significantes.
Folículos que não estão maduros o suficiente para ovular após a onda de LH, sofrem atresia, o que é mais uma evidência do sincronismo dos acontecimentos que ocorrem no ovário e assegura que o óvulo não esteja presente para a fecundação por um período maior que 2 a 4 dias.
Os folículos rompidos luteinizam-se rapidamente; o corpo lúteo desenvolvido é capaz de sustentar a síntese e secreção de progesterona por 2 meses ou mais. A cor do corpo lúteo é rosa-salmão vivo durante 10 dias, aproximadamente, após a ovulação; e é facilmente identificado na superfície do ovário.
Durante todo este período, o útero está continuamente se preparando para a implantação. O sangramento da microvasculatura uterina está diminuído ou extinguido, o desenvolvimento glandular com aumento da vascularidade está quase completo. O útero pode tornar-se palpável numa examinação abdominal cautelosa, observando seu tamanho aumentado e espessura.
O número de óvulos presentes no ovário de uma cadela recém nascida está estimado em 700.000. Na puberdade, este número é reduzido para 250.000; aos 5 anos de idade, 30.000; e aos 10 anos, apenas poucas centenas. A fertilidade parece declinar progressivamente, uma vez que a cadela alcança 7 anos de idade ou mais.
Duração: a duração dos sinais de cio é de 5 a 9 dias, normalmente. Semelhante ao proestro, a extensão desta fase pode variar drasticamente entre cadelas normais.
Sinais clínicos: maior receptividade ao macho; podem agachar-se ou elevar o períneo para o macho. Qualquer pressão realizada sobre ou próximo à parte inferior das costas causará o desvio da cauda para um lado e uma tensão dos membros traseiros para suportar o peso do macho durante a monta. A cadela pode atrair machos a uma longa distância, devido à presença de potentes feromônios.
A vulva progride completamente da fase túrgida e torna-se macia e flácida. A secreção vaginal é muitas vezes cor-de-palha ou rósea; e menos freqüente, pode continuar evidentemente hemorrágica. Ocasionalmente a secreção vaginal pode conter glicose suficiente para um teste de urina dar positivo. Isto pode ser causado pelo aumento da concentração de progesterona, a qual resulta em intolerância a carboidratos, pela progesterona estimular o hormônio estimulante do crescimento. O antagonismo da insulina causa o aumento da concentração sangüínea de glicose e uma elevação dos níveis de glicose extracelular. A secreção vaginal do estro é formada a partir do fluido extracelular dentro da parede uterina; então o uso do teste de glicose pode ter algum valor.
A cadela pode ser passiva e aceitar o macho, ou pode aproximar-se do macho ativamente para despertar seu interesse. Geralmente, a cadela só cruza com machos dominantes e repugna os submissos. Por isso, recomenda-se que leve a fêmea para o território do macho, onde este estará mais à vontade e será dominante; e ao mesmo tempo, a fêmea estará submissa e receptiva.

Figura 7. Alterações normais e sequência de eventos relacionados ao momento da ovulação e fertilização do óvulo no indivíduo normal. (Feldman ,EC e Nelson, RW)
Citologia vaginal: mantém-se relativamente constante. Não há mudanças que sugiram o dia do pico de LH, ou da ovulação ou do momento da fertilização. A citologia vaginal esfoliativa parece ser um reflexo da elevação da concentração de estrógeno.
As células superficiais totalmente queratinizadas representam mais do que 80% do total das células vaginais, freqüentemente alcançando 100%. Não há neutrófilos. O fundo do esfregaço está sem material granular, freqüentemente visto no proestro.
Durante todos os dias do final do proestro e todo o período do estro, a porcentagem de células superficiais nunca cai abaixo de 60%, mantendo-se geralmente, entre 80 e 100%. A presença ou ausência de núcleo picnótico dentro destas células superficiais não tem relação coerente com alterações de concentrações plasmáticas de hormônios, ou com a presença de folículos ou corpo lúteo dentro do ovário.