A articulação normal

A cartilagem articular normal consiste de condrócitos e matriz extracelular. Apesar de estar localizada em uma matriz avascular, aneural e alinfática, os condrócitos têm capacidade de síntese. Sua atividade metabólica inclui a função anabólica de produzir colágeno e proteoglicanos, importantes componentes da matriz de colágeno, além de terem capacidade de produzir enzimas degradativas (metaloproteinases). Esta função anabólica é necessária como parte do turnover normal da matriz, que ocorre muito lentamente na cartilagem saudável.5 As principais metaloproteinases incluem a colagenase e a estromelisina. A primeira atua sobre as fibrilas de colágeno para decompor o esqueleto estrutural da cartilagem, e a segunda desdobra tanto os proteoglicanos como o colágeno. A atividade catabólica destas enzimas permite que um condrócito modifique seu ambiente pericelular como resposta aos esforços a que está exposto.6 Sob condições metabólicas normais, as atividades anabólica e catabólica coexistem igualmente para manter a cartilagem saudável.

Os proteoglicanos são moléculas compostas principalmente de uma proteína central a que estão ligadas cadeias laterais de glicosaminoglicanos (Figura 2). A combinação de uma proteína central e de cadeias laterais de glicosaminoglicanos forma um monômero proteoglicano. Os glicosaminoglicanos são cadeias de unidades de dissacarídeos que se repetem e têm carga negativa. Esta carga negativa faz com que haja uma repelência entre eles, resultando em resistência à compressão. O nome dado ao monômero proteoglicano mais comumente encontrado na cartilagem articular é agrecano. Os glicosaminoglicanos que formam o monômero agrecano são condroitina e sulfato de queratina (Figura 2). Muitos destes monômeros agrecanos ligam-se a uma molécula de hialuronato para formar um agregado de agrecanos. O comprimento do agregado de agrecanos depende da localização e da condição da cartilagem articular. Os proteoglicanos conferem à cartilagem a sua rigidez compressiva.

A principal função das fibrilas de colágeno é dar suporte estrutural para a matriz da cartilagem. As fibrilas de colágeno resistem de forma efetiva às forças de tração aplicadas sobre a cartilagem. O colágeno do tipo II é o tipo predominante, mas o colágeno do tipo IX tem a importante função de conectar as fibrilas de colágeno tipo II para formar uma malha que restrinja os proteoglicanos produzidos pelos condrócitos.7'8 Como são altamente hidrofóbicos, os proteoglicanos absorverão água e aumentarão em muitas vezes o seu tamanho original, formando um gel livre, se não tiverem nenhuma restrição. Quando restringidos pelas fibrilas de colágeno, a interação entre a água e os proteoglicanos cria uma pressão osmótica de inchamento, que confere à cartilagem a sua turgidez articular normal (Figura 2) .(9)

De modo geral, os condrócitos e o colágeno são orientados dentro da matriz da cartilagem de maneira a permitir uma maior resistência diante das forças a que a articulação pode estar submetida. Morfologicamente, há um padrão zonal baseado na organização dos condrócitos, orientação das fibrilas de colágeno e a distribuição de proteoglicanos (Figura 2). Esta orientação das fibras de colágeno e proteoglicanos forma um material composto, reforçado pelas fibras, que resiste às forças de compressão e tração sem sofrer danos, e permite a transmissão destas forças ao osso subcondral subjacente. A ruptura desta organização é o marco da osteoartrite.

As estruturas periarticulares também são parte integrante da função articular normal. A sinóvia, ou a combinação da camada de revestimento (normalmente com espessura de uma ou duas células) e tecido subsinovial, envolve a articulação.

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